domingo, 20 de dezembro de 2015

Casas Viking- Curiosidades - Interior. Part. 2/2


Viking longhouse - often, more than one family lived in this long building.

As soleiras de pedra são muitas vezes toda a prova que resta dos edifícios numa povoação rural. Uma extremidade das ''casas-habitação'' era usada como celeiro para armazenar os cultivos ou se dividia em estábulos para o gado. Viver debaixo do mesmo telhado que os animais proporcionava-lhes uma fonte de calor central bastante fétido. Desse modo se asseguravam também que os seus animais estavam a salvo dos ladrões de gado, pois o gado era uma riqueza.

Os cômodos habitados da casa tinham uma lareira no meio do chão para dar calor, luz e meio de cozinhar. Não havia chaminés, e a fumaça da lareira saia pelas claraboias do teto, que era coberto de palha, torso ou tabuinhas de madeira, segundo a disponibilidade de materiais locais. Havia bancos ao longo das paredes. Geralmente eram parte integrante da estrutura e consistiam em montículos de terra aplanados e reforçados com vime por dentro. Havia poucos moveis mais, e os bancos serviam tanto de assento como de cama. Neles se faziam trabalhos manuais simples, como fiar, tecer e fazer cestos, mas algumas fazendas tinham edifícios separados para as atividades particulares.

Em Saedding foi encontrado, por exemplo, uma forja, e muitas fazendas teriam um abastecimento semelhante para fazer e reparar as ferramentas essenciais. As cabanas de terra batida, que são uma característica das aldeias dinamarquesas do período viking, também podem ter sido utilizadas como oficinas para tecer, fazer cerâmica primitiva e trabalhos semelhantes.

Uma das casas de Hedeby contém um forno num dos compartimentos menores, mas os fornos não eram frequentes na Escandinávia na época viking, como era também pouco comum uma cozinha independente. A maior parte da luz dentro das casas era proveniente do lume no compartimento central, possivelmente reforçada por lâmpadas de azeite, mas alguns postigos teriam deixado entrar um pouco de luz exterior. Bancos de terra com madeira na frente eram colocados ao longo das paredes junto à lareira; o chão era de terra batida. As sólidas portas de madeira podiam ser fechadas à chave.

Idade do Ferro Celtic Roundhouse construído sobre as fundações originais.

fontes:
Templo de Apolo
K. SKAARE, Coins and Coinage in Viking-Age Norway: Oslo, 1976;
T. SOVOLD. The Iron Age Settlement of Arctic Norway. Vol2: Tromso, 1974.
#Nimue

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Casas Viking- Curiosidades - construção. Part.1/2

Os vikings da Escandinávia construíam principalmente com madeira, embora a pedra e o torso também fossem utilizados em algumas regiões, particularmente na Noruega. Por exemplo, as marcas dos buracos dos postes na terra (que se distinguem do solo circundante por diferenças de cor e de textura) permitem aos arqueólogos calcular o comprimento e o plano de um edifício construído com madeira. A forma básica do edifício era a mesma em toda a Escandinávia: retangular, por vezes com paredes curvas e de comprimento variável.

Na Dinamarca, os bosques de folha caduca proporcionavam carvalhos para construir a armação das casas, e aveleiras e salgueiros para entrelaçar os painéis de vime que cobriam os espaços entre os postes verticais das paredes. Estes eram revestidos em seguida com uma mistura de argila e de estrume para que resistissem às intempéries. Este tipo de preenchimento é conhecido como caniçada e revestimento. Os edifícios nos fortes reais tinham paredes de madeira sólida, mas estas ainda não foram encontradas em nenhum estabelecimento agrícola; requeriam grandes quantidades de carvalho e provavelmente estariam acima das possibilidades do fazendeiro médio.

Não há muitos carvalhos na Suécia e na Noruega, salvo no extremo meridional, e por isso as madeiras macias (de coníferas) eram usadas para a construção. Estas provinham das compridas madeiras horizontais que eram empilhadas uma sobre a outra e tinham encaixes nos cantos para formar junturas sólidas. O comprimento de cada edifício dependia do dos troncos de arvore disponíveis, e por isso estas casas consistiam frequentemente em series de cômodos independentes unidos pelas extremidades para formar um só bloco. No entanto, por vezes, a fazenda consistia em vários edifícios dispersos, cada um com a sua própria função. As madeiras mais baixas das paredes assentavam geralmente sobre uma fileira de pedras que formavam uma soleira, e isto impedia que a madeira apodrecesse em contato com o solo molhado. 



fontes:

Templo de Apolo
K. SKAARE, Coins and Coinage in Viking-Age Norway: Oslo, 1976;
T. SOVOLD. The Iron Age Settlement of Arctic Norway. Vol2: Tromso, 1974.
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domingo, 1 de novembro de 2015

Mitologia Grega- Deuses e Deusas;

Vamos enumerar, a seguir, alguns dos principais deuses e deusas da religião da época clássica. Em primeiro lugar, os olímpicos:


Júpiter ou Jove ( Zeus ), embora chamado de pai dos deuses e dos homens, tivera um começo. Seu pai foi Saturno ( Cronos ) e sua mãe Réia ( Ops ). Saturno e Réia pertenciam a raça dos Titãs, filhos da Terra e do Céu, que surgiram do Caos.

Júpiter, juntamente com seus irmãos e irmãs, rebelou-se, então, contra Saturno e seus irmãos e irmãs, os Titãs, venceu-os e aprisionou alguns deles no Tártaro, impondo outras penalidades aos demais. Atlas foi condenado a sustentar o céu em seus ombros. Depois do destronamento de Saturno, Júpiter dividiu os domínios paternos com seus irmãos Netuno ( Posêidon ) e Plutão ( Dis ). Júpiter ficou com o céu, Netuno, com o oceano, e Plutão com o reino dos mortos. A terra e o Olimpo eram propriedades comuns. Júpiter tornou-se rei dos deuses e dos homens. Sua arma era o raio e ele usava um escudo chamado Égide, feito por Vulcano.

Guardião da ordem, dos juramentos e dos próprios estrangeiros; é o senhor do raio e dos fenômenos atmosféricos. Sua ave favorita era a águia. O culto de Zeus era o mais solene e o mais universalmente espalhado. Entre seus santuários mais famosos figuravam: o de Dodona( Epiro) e o de Olímpia( Élida). Este último ostentava famosa estátua esculpida por Fídias. Note- se, aliás, que não existia maneira uniforme de representar Zeus. Em geral aparecia como um homem majestoso, com barba, abundante cabeleira e sentado sobre um trono. Com a destra segura o raio que é representado ou por um tição flamejante de duas pontas ou por uma máquina pontiaguda do dois lados e armada de duas flechas; com a mão esquerda sustém uma Vitória; a seus pés, com as asas dobradas, descansa a águia capturada de Ganimedes. A parte superior do corpo está nua, e a inferior coberta.

Zeus casou-se três vezes, sua primeira esposa foi Métis a deusa da prudência e com ela teve sua filha Atena. Sua segunda esposa foi Têmis a deusa da justiça. E sua terceira esposa foi sua irmã Hera e com ela teve vários herdeiros, mas o único que foi filho legítimo de Hera e Zeus foi Ares, que era o Deus da guerra. Hera era muito ciumenta e agressiva já que Zeus desonrava sua vida com Hera, tinha muitas amantes, e que também acabou tendo muitos filhos fora de seu casamento. Zeus usava seu poder de sedução e até usava as mais belas metamorfoses para conquistar as mulheres. As mais conhecidas são: o Cisne de Leda e o Touro da Europa.
Zeus é o deus que dá ao homem o caminho da razão e também ensina que o verdadeiro conhecimento é obtido apenas a partir da dor.

O hino a Zeus, do estóico Cleanto, uma das mais belas obras da poesia grega do século III a.C., apresenta Zeus como Senhor Universal onipotente, justo e regulador da ordem cósmica e benfeitor universal.

Hera( Juno), irmã e esposa de Zeus, era a deusa nacional da Argólia. Em Argos, a sua estátua sobre um tronco de ouro, de um tamanho extraordinário, era de ouro e marfim; sobre a cabeça uma coroa, em cima da qual estavam as Graças e as Horas. Com uma das mãos segurava uma romã, com a outra um cetro, em cuja extremidade estava um cuco, pássaro amado da deusa. Hera presidia às núpcias, aos partos e protegia as mulheres. Atribuíram- lhe a partilha dos reinos, dos impérios e das riquezas.

Tem como seu animal preferido o Pavão e é associada ao signo de Escorpião.

Atena ( Minerva), filha privilegiada de Júpiter, saiu do cérebro deste inteiramente armada. Era a deusa da inteligência, das artes, da indústria e também da guerra. Dera o nome à cidade de Atenas e recebia aí um culto especial no Pártenon.

Atena e Poseidon, seu tio, chegaram a disputar o padroado de uma cidade importante, para isso estabeleceram um concurso: quem desse o melhor presente à cidade ganharia a disputa. Poseidon bateu com seu tridente e fez jorrar água do mar e também fez aparecer um cavalo. Já Atena além de domar o cavalo e torna-lo um animal doméstico, também deu como presente uma Oliveira que produzia alimento, óleo e madeira, foi então que ganhou e assim a cidade levou seu nome, Atenas.

Atena também ficou conhecida como Minerva pelo voto de desempate que deu quando julgou Orestes juntamente com o povo de Atenas. Orestes matou a mãe para se vingar da morte do pai. Atena deu o voto de Minerva como é conhecido hoje, e declarou Orestes inocente.

Atena é chamada também de Palas. Representavam-na, geralmente, com um capacete na cabeça, uma lança em uma das mãos, um broquel na outra, e a égide sobre o peito. A maior parte das vezes a deusa está sentada; mas quando de pé tem sempre, com atitude resoluta de uma guerreira, o ar meditativo e o olhar volvido para as altas concepções.

Apolo( Phoebus Apollo), filho de Zeus e de Leto, é o deus da luz, da juventude, da música, da expiação e da purificação, da medicina, da adivinhação e das artes. Como deus da adivinhação, preside os oráculos, especialmente o de Delfos. Como deus das artes dirige o côro das Nove Deusas que as personificam: Clio( História), Melpômene( tragédia), Terpsìcore( dança), Talia ( comédia), Euterpe( música), Érato( poesia apaixonada), Calíope ( poesia épica).

As estátuas de Apolo retratam-no sempre como jovem belo, gracioso e forte.

O arco e as flechas que traz simbolizam os raios; a lira, a harmonia dos céus; às vezes dão-lhe um broquel que indica a proteção que concede aos homens.

Ártemis( Diana), como Apolo, filha de Zeus e de Leto, é uma das grandes deusas do mundo Helênico. Inicialmente parece ter sido uma divindade da natureza livre: vive nas florestas com um cortejo de ninfas às quais sobrepuja pelo talhe e pela formosura. Deusa da caça, sua arma predileta é o arco.

Ártemis é invocada com outras designações e possui diferentes atribuições de acordo com as regiões que favorece e os templos em que era cultuada. O mais famoso de seus santuários localizava- se em Éfeso. Como Apolo confunde- se com Hélio ( o sol), Ártemis se identifica com Selene( deusa do luar).

Ártemis é a virgem implacável que representa a beleza ideal da donzela com seu irmão Apolo representa a frequentemente a Casta Diana, a Diana caçadora, amante dos bosques e das montanhas, a deusa orgulhosa e altiva, a resplandecente rainha das noites. Embora pareça contraditória esta personalidade ambígua de Ártemis, na verdade ela está associada a dupla faceta do feminino, que protege e destrói, concebe e mata. Esta imagem da deusa é difundida especialmente na Ásia Menor. Não se sabe exatamente onde e quando surgiu seu culto, pois os autores que estudam o mito divergem quanto a este ponto.

Posídon ( Netuno ), irmão de Júpiter, é o soberano do mar. Do fundo deste governa seu império, estando a par de tudo que se passa na superfície. Se por acaso os ventos impetuosos espalham inconsideradamente as vagas sobre as praias, causando injustos naufrágios, Netuno aparece, e com a sua nobre seriedade faz reentrar as águas no seu leito, abre canais através dos baixos, levanta com o tridente os navios presos nos rochedos ou encalhados nos bancos de areia - em uma palavra, restabelece toda a desordem das tempestades. Posídon ( ou Posseidon ) figura entre os deuses mais venerados na Grécia Antiga. Possuía inúmeros templos, principalmente nas vizinhanças do mar. Em Corinto celebravam- se em sua honra os jogos ístmicos. Em geral é representado nu, com longa barba e tendo por arma o tridente e por animal de sua predileção o Delfim.

Poseidon era casado com Anfitrite. Quando se conheceram Poseidon se apaixonou por ela, mas Anfitrite o recusou e Poseidon a obrigou casar-se com ele, porém, ela para não casar, se escondeu nas profundezas do oceano, só sua mãe sabia onde ela estava. Mas com o tempo Anfitrite mudou de idéia e foi atrás de Poseidon com quem se casou e ficou sendo a rainha do oceano. Com ela teve um filho chamado Tritão que aterrorizava os marinheiros com um barulho espantoso que ele fazia quando soprava o búzio, um instrumento, mas também com ele fazia sons maravilhosos.  Entretanto, na sua vida Poseidon teve muitos outros amores e fora de seu casamento teve mais filhos que ficaram muito conhecidos por sua crueldade, os dois que mais conhecidos foram o Ciclope e o gigante Orion. Poseidon disputou com Atena, a deusa da sabedoria, para ser a deidade da cidade hoje conhecida como Atenas, porém Atena ganhou a competição e a cidade ficou conhecida com o seu nome

Ares ( Marte ), filho de Júpiter e de Juno, era deus da guerra. Enquanto Atena preside as batalhas ordenadas, Ares preside a guerra violenta e desordenada. Seu culto parece não ter sido muito difundido na Grécia. Em Esparta havia uma estátua de Ares amarrada a fim de que não abandonasse os exercícios em campanha.



Deméter ( Ceres ), deusa das terras amanhadas e das messes, ensinou aos homens a arte de cultivar a terra, de semear, de colher o trigo e com o mesmo fabricar o pão. Uma das doze divindades do Olimpo, filha de Cronos e Réia. Com Iásion, teve um filho chamado Pluto, que morreu após ser atingido por um raio que Zeus enviou por descobrir que que Deméter e Iásion eram amantes. Zeus teria cegado Pluto por ele ser tão generoso e só conceder suas riquezas as pessoas honestas, e cego ele não poderia se diferenciar - Pluto havia herdado de sua mãe a generosidade.

Deméter e sua filha Perséfone ( Prosérpina ) eram honradas muitas vezes juntamente com o nome de grandes deusas. O culto de Deméter difundiu-se graças aos mistérios de Elêusis nos quais tanto gregos como bárbaros, livres e escravos podiam ser iniciados. Uma grande história muito triste em sua vida, foi quando sua filha Perséfone foi raptada por Hades, que vivia nas profundezas do inferno e lá se casaram. Mas Deméter conseguiu que sua filha passasse uma parte do tempo ao seu lado e outra com seu marido no inferno, onde se tornou a pessoa que recebia as almas. Quando Perséfone está com sua mãe, a primavera reina, já quando volta para o inferno com seu marido, o inverno chega.

Deméter era geralmente representada como uma bela mulher de porte majestoso, com olhos lânguidos e os cabelos caindo desordenadamente sobre os ombros. Na cabeça traz uma coroa de espigas de trigo e um Diadema. Na mão direita segura um feixe de espigas e na esquerda uma tocha ardente.

Fontes:
História da Grécia- Antiguidade clássica I, Mário curtis Giordani 
O livro de Ouro da Mitologia. Histórias de deuses e heróis.
http://www.algosobre.com.br/mitologia/demeter.html
http://criptopage.caixapreta.org/secao/mitologia/mito_grecorom_maz.htm http://www.dec.ufcg.edu.br
/biografias/MGDemete.html
http://www.rosanevolpatto.trd.br/deusadiana.html
http://www.femininoplural.com.br/artemis/nos.htm
http://contoselendas.blogspot.com/2004/10/hera.html
http://www.rosanevolpatto.trd.br/deusahera.htm
http://www.mundodosfilosofos.com.br/zeus.htm
http://plantaomagia.blogspot.com/2009/05/historia-de-zeus.html
http://allofthemitology.blogspot.com/2008/03/zeus-deus-dos-troves-senhor-do-monte.html

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quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Mitologia Nórdica- O roubo do Hidromel:

Hidromel, a bebida dos deuses, teve uma origem um tanto curiosa. Segundo a lenda, tudo começou com Kvasir, um deus obscuro, cuja personalidade e atributos perderam-se nas brumas do tempo. Sabe-se, apenas, que nasceu de uma forma um tanto extravagante, quando Aesires e Vanires, deuses adversários, fizeram uma trégua em sua disputa e se reuniram para selar um pacto de paz. Cada qual, nesta ocasião, cuspiu dentro de um vaso cerimonial e, da reunião de todas as salivas, surgiu Kvasir. Este deus, contudo, acabou morto por dois anões chamados Fialar e Galar, que cobiçavam a sua sabedoria, seu atributo principal. Durante a noite, enquanto dormia, o
deus foi apunhalado pelos dois perversos irmãos, tendo seu sangue sido recolhido por eles e colocado num caldeirão. Depois, tão logo chegaram em rasa, misturaram-no a uma porção de mel e o fermentaram até obter o saboroso hidromel, bebida mágica que confere o dom da poesia a todo aquele que a bebe.

Durante muitos anos, os dois perversos anões gozaram das delícias desta bebida, a qual, infelizmente, se tivera o dom de torná-los poetas, não tivera o de torná-los melhores, pois continuaram a cometer, alegremente, as suas torpezas até que numa delas, mataram, por um motivo incerto, um casal de gigantes. Suttung, o filho destes, entretanto, descobriu os autores do crime e foi logo tirar satisfações, exigiu, sob pena de morte, que lhe entregassem, como reparação, o precioso caldeirão, o que eles tiveram o juízo de fazer sem pestanejar. Desde então, foi o gigante quem passou a saborear este néctar - e podemos, perfeitamente, imaginar que lenha se tornado também, senão um grande poeta,ao menos um poeta grande.
Ora, estando Indo entendido, é preciso dizer, agora, que este gigante tinha uma bela filha chamada Gunnlod. Era ela a guardiã do caldeirão, passando o dia e a noite inteiros a cozinhar e a provar a aromática bebida - o que, por consequência, deve tê-la tornado a maior poetisa de todos os tempos. Todos os dias seu pai, Suttung, passava pela caverna, onde Gunnlod morava para provar um pouco do hidromel.
-'' Ó linda guardiã do hidromel, isto está cada dia mais delicioso!'' - dizia ele, dando um beijo na filha e saindo, em seguida, para os seus afazeres.
Era este o melhor momento do dia, quando Gunnlod tinha a consciência de estar livre das companhias indesejadas, tendo pela frente apenas o seu delicioso ofício, o qual exercia na mais perfeita solidão das profundezas de sua caverna - um magnífico salão recoberto de estalactites* vermelhos e iluminado por tochas e quartos que esplendeciam por todas as concavidades como milhares de vaga-lumes prateados engatados nas rochas. Esta sensação enchia a jovem de tamanha alegria, que ela se punha, imediatamente, a pular descalça, feito uma menina, pelos corredores e salões de pedra de seu paraíso subterrâneo, sabendo que estava livre dos problemas relesmente (desprezivelmente) mundanos que afligiam ao povo da superfície.
Esta afeição de Gunnlod por subterrâneos - que destoava um pouco da sua condição de ''giganta'' - levava, muitas vezes, o pai a chamá-la, afetuosamente, de minha ''duendezinha''. Isto, contudo, ao invés de aborrecê-la, a enchia ainda mais de orgulho: - Tenho, realmente, a alma de um duende! - dizia sempre, satisfeita.
Por esta época, entretanto, já andava pelo mundo um deus, ainda muito jovem, mas que já era sábio e dinâmico o bastante para ter criado muitas coisas. Seu nome era Odin e poucos desconheciam o seu poder e inteligência. Por muito tempo, intrigara-o o caso do infeliz deus Kvasir, morto pelos anões. Todos, em Asgard, sabiam da tragédia e a grande especulação estava voltada para o fato de se saber onde andaria o tal caldeirão do hidromel, pois todos queriam provar desta maravilhosa bebida.
- ''Odin, somente você poderá nos trazer este deleite supremo!'' - diziam-lhe todos, confiando no seu gênio e na sua capacidade de conseguir o que queria. Depois de tanto ser aborrecido com esta história, Odin decidiu-se, afinal, a ir procurar pela tal bebida.
O deus seguiu a pista dos anões e, após havê-los encontrado,conseguira arrancar deles a história dos seus crimes.
''Onde está o hidromel, vermezinhos?'' - disse ele, ameaçando-os com uma terrível punição. Os anões confessaram que Suttung, o filho dos mortos, havia-o levado, o que bastou para Odin dar-lhes as costas e os deixar chacoalhando os joelhos em cima de duas pequenas poças amarelas. O deus dirigiu-se, imediatamente, para as terras de Suttung. Já ia a meio do caminho, quando passou por um campo onde havia nove
homens ceifando. Eram os lavradores de Baugi, o irmão de Suttung. Odin percebeu, logo, que as foices que eles usavam estavam completamente cegas.
- ''Ei, campônios, não querem amolar as suas foices?'' - disse ele, com um grito.
- ''Oh, sim! claro que queremos!'' - responderam, aliviados.
Odin não levou muito tempo para torná-las tão afiadas como eram no dia em que saíram da forja, graças à sua afiadíssima pedra de amolar.
- ''Esta sua pedra é mágica! Dê-a para nós!'' - exclamou um deles.
- ''Claro, aqui está - disse Odin, lançando-a para eles. Imediatamente, todos se precipitaram para apanhá-la. Na confusão, entretanto, foram com tanta gana à pedra, que se engalfinharam numa briga tremenda, terminando todos estendidos no solo com as gargantas cortadas.
- ''Oh, deuses, que lástima!'' - disse Baugi, o senhor dos nove servos mortos.
- ''Não se aflija'' - disse Odin, adiantando-se. - ''Terminarei o serviço deles em troca, apenas, de uma deliciosa taça de hidromel.''
- ''Quem é você, afinal, homem da pedra que mata?'' - disse Baugi, intrigado.
- ''Meu nome é Bolverk'' - respondeu Odin, começando a ceifar o campo. (Bolverk quer dizer "perverso", mas Baugi não foi atilado o bastante para se dar conta do perigo.)
- ''Infelizmente, o caldeirão onde ferve o hidromel está sob o controle do meu irmão'' - disse Baugi, coçando a cabeça -, mas vou falar com ele e ver se consigo arranjar-lhe uma taça.
- ''Faça isto, meu amigo'' - disse Odin, de cabeça baixa e afetando indiferença.
Odin ceifou todo o campo - o que lhe custou um bocado de tempo - até que, finalmente, concluiu sua tarefa. Infelizmente, Baugi não conseguira nada com o irmão,que não queria ceder nem um único gole da preciosa bebida. Odin e Baugi decidiram, então, recorrer à astúcia para que o primeiro pudesse se apoderar do seu justo prêmio. ''Mas me prometa que se servirá somente de uma pequena taça!'' - disse Maugi ao colega, que prometeu, prontamente, com um sorriso oculto nos lábios. O irmão de Suttung conduziu Odin pelas regiões elevadas onde ficava a caverna de Gunnlod, a guardiã do hidromel. Era uma grande cordilheira que eles percorreram a custo até chegar ao seu objetivo, quase ao final do dia.
- ''É aqui, ceifador incansável'' - disse Baugi, apontando para uma pequena entrada escavada na rocha bruta. - No mesmo instante, começaram ambos a escavar com picaretas, pois a entrada estava bloqueada por um rochedo, que somente Gunnlod, de dentro, podia remover por um mecanismo especial. Depois de terem atravessado um paredão inteiro e muitos túneis, chegaram, afinal, à gruta subterrânea onde Gunnlod se refugiava.
- ''Agora, você segue sozinho'' - disse-lhe Baugi, temeroso de ser descoberto.
- ''Está bem, dono dos nove servos'' - disse Odin, sem nem lhe agradecer, pois o perfume inebriante da bebida já começava a lhe transtornar os sentidos. -Odin foi avançando até que sua cabeça brotou do alto por uma fenda, o que lhe possibilitou
descortinar um panorama, verdadeiramente deslumbrante: a grande gruta do caldeirão, com seus estalactites vermelhos e as tochas a reverberar pelas paredes faiscantes. Bem ao centro, estava o caldeirão fumegando, embora a guardiã estivesse ausente.
"É agora a grande chance!", pensou o jovem deus, começando a descer pelo paredão com a agilidade de um verdadeiro alpinista. Infelizmente, porém, quando recém havia posto o primeiro pé no chão, teve a desagradável - ou seria agradável? - surpresa de ver surgir Gunnlod por uma entrada lateral.
- ''Oh, quem é você, escalador de paredes?'' - gritou ela, fazendo sua voz ecoar pelos paredões escarpados.
- ''Nada tema, bela jovem'' - disse Odin, aproximando-se. - ''Só quero provar um pouco de sua divina bebida.'' Gunnlod sentiu-se, instantaneamente, atraída por aquele belo e esbelto intruso. Mas a sua missão de guardiã falou mais alto e ela, como que despertando de um transe, empertigou-se toda.
Na sua mão direita havia um arco com uma flecha pronta para o disparo.
- ''Não acha que eu mereço ao menos um gole pela façanha de devassar o seu belo esconderijo?'' - disse ele, com um sorriso maroto.
-'' Fora daqui - gritou ela -, e não vou repetir duas vezes.''
- ''Calma, bela guardiã; na verdade, estou aqui apenas para receber o pagamento por um trabalho feito a seu tio e, por extensão, a seu pai egoísta.''
- ''Como ousa?...''
- ''Sim, egoísta, pois trabalhei para seu tio pelo preço de uma taça de hidromel e, agora, o pérfido Suttung não quer cumprir a sua parte.''
- ''Modere a sua língua, invasor de cavernas!''
- ''Acalmemo-nos, bela Gunnlod'' - disse, então, Odin, dando um tom conciliatório à sua voz. - ''Se não quer me dar a bebida, pronto, não dê!... Não pretendo forçá-la a nada.'' - Odin avançou ainda mais e estava já a ponto de encostar seu peito ao dela, quando Gunnlod ergueu de novo a sua seta. Mas a mão dele a impediu, suavemente, de realizar o disparo. - ''Já não lhe disse que não vou obrigá-la a nada?'' - disse ele, enfatizando a última palavra.
Os dois ficaram olhando-se durante um bom tempo, até que Odin colou os seus lábios aos de Gunnlod. O aroma do caldeirão envolvia a ambos numa fumaça avermelhada que dissipou qualquer resistência que pudesse haver no coração da jovem guardiã que, em momento algum, teve consciência do seu fracasso, senão, de que algo, infinitamente mais belo que uma simples missão apresentara-se em sua vida. Depois de muito tempo, Odin, tendo ainda a jovem em seus braços - mas já deitados -, reclamou que tinha muita sede.
- ''Deixe-me provar do hidromel'' - disse ele, com suavidade.
- ''Está bem, pode beber...'' - disse ela, preferindo, no entanto, dar as costas ao amado para não presenciar a derrotada final da sua missão. Mas, subitamente, sentiu sua voz repetir a autorização, agora, como se não fosse dela, com uma sombra estranha de euforia na voz: - ''Pode beber à vontade..''
A Odin encontrou três enormes taças e as encheu a ponto de esvaziar completamente o caldeirão. Depois, emborcou-as pela boca como quem estivesse há anos sem beber uma única gota. Quando retornou para se despedir, percebeu, no entanto, que Gunnlod dormia.
- ''Adeus, guardiã do meu coração!'' - disse ele, baixinho, retirando-se com a mesma discrição com a qual entrara.
Mas ela não estivera nunca dormindo, nem nunca diriam dela que fora enganada. Desta acusação, que ela julgava a pior, ela fazia questão de estar livre.
- ''Nada se fez sem a minha autorização'' - disse ela, como se já estivesse diante de seu pai irado. Gunnlod sabia, desde já, que nunca mais poderia ser a guardiã do caldeirão ou de qualquer outra coisa neste mundo.
- ''Ora, basta!'' - exclamou ela, tornando-se repentinamente altiva e serena outra vez. - ''Serei, então, doravante, a guardiã de mim mesma!''
Odin partiu à toda pressa, mas quando percebeu que Suttung vinha atrás dele transformado em uma águia sedenta de sangue - como ele descobrira o seu plano, jamais ficaria sabendo -, transformou-se também em outra velocíssima águia. Principiou-se, então, uma perseguição alucinante pelos ares gelados da cordilheira que se estendeu por milhares de quilômetros até que, finalmente, viu brilhar ao longe as torres douradas de seu amado palácio Gladsheim, em Asgard. Odin deu um grande grito de alerta, o que fez com que todos os habitantes da morada dos deuses corressem, logo, a espalhar pipas enormes e jarros de todos os feitios pelas ruas. Então, Odin-águia começou a regurgitar todo o hidromel que havia ingerido na caverna de Gunnlod sobre os recipientes, de tal sorte que em três voltas inteiras que deu sobre a cidade havia expelido de seu estômago até a última gota da saborosa bebida. Suttung, ao ver que os deuses recolhiam rapidamente os jarros e cubas, reconheceu-se vencido e, com um grande grito de ira, partiu de volta à sua terra.
E foi assim que, graças a uma sedução e a um traiçoeiro furto, o hidromel passou a ser a bebida predileta dos deuses.
OBSERVAÇÃO: Boa noite! Eu sei que o texto é longo- hehehehe-, porém eu adorei. Espero, que assim como eu, vocês tenham gostado! Estou preparando alguns posts e gostaria da opinião de vocês; o que acham de fazer um especial de 10 Deuses/ Deusas Nórdico, Celta e Grega? Vai ficar TUDO na ordem lá no blog <3 O que acham?
Fonte:As melhores histórias da mitologia nórdica
A. S. Franchini / Carmen Seganfredo
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sábado, 26 de setembro de 2015

Postagem Especial- Indicação para jogos- Skyrim:


Skyrim, também conhecida como Reino Antigo [Old Kingdom] ou Pátria [Fatherland], é o lar dos nords e o cenário onde se passa o jogo The Elder Scrolls V: Skyrim.

Skyrim é uma região situada na parte norte de Tamriel (o continente onde ocorrem os eventos de toda série Elder Scrolls). É o lar dos nords, homens e mulheres grandes e durões (geralmente altos e loiros), conhecidos por sua grande resistência ao frio, tanto natural quanto mágico.

Foi a primeira região (ou província) do continente Tamriel a ser povoada pela raça humana, que migrou para lá de Atmora, no extremo norte, cruzando o Mar dos Fantasmas [Sea of Ghosts]. Atmora seria um continente situado a extremo norte de Tamriel, o lugar de origem dos homens conhecidos como neds, os antepassados dos humanos, entretanto, existem pouquíssimas informações sobre Atmora, pois nada foi escrito em linguagem conhecida pelo povo antes da Grande Migração [Great Migration].
A data da Grande Migração é desconhecida, mas ocorreu antes da total proliferação da civilização élfica no continente de Tamriel. De acordo com a lenda, Ysgramor (o primeiro humano a pisar em Tamriel, um guerreiro ned, mais tarde fundador e líder dos Quinhentos Companheiros [Five Hundred Companions]) desembarcou em Cabeça de Hsaarik [Hsaarik Head] no extremo norte do Cabo Quebrado de Skyrim [Skyrim's Broken Cape].

Conta-se que ele e seus companheiros estavam fugindo da guerra civil em Atmora, que na época tinha uma população considerável. Eles chamaram a terra recém-descoberta de Mereth, pois seus estranhos habitantes (os elfos) chamavam a si próprios de mer (em élfico "mer" quer dizer "pessoa" ou "nós", e era usada pelos elfos para designarem a sua raça, assim como usamos a palavra "homem" para designar toda a raça humana).

OBSERVAÇÃO: Boa tarde Guerreiros e Valquírias! Esse é um post especial para vocês. Eu simplesmente AMO Skyrim! Infelizmente, meu controle quebrou e não posso jogar. Na fonte, temos um pouco de tudo sobre Skyrim e alguns guias! Espero que tenham gostado Emoticon colonthree
Fonte: http://www.gamevicio.com/…/2/2058-the-elder-scrolls-v-skyr…/
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sábado, 19 de setembro de 2015

Era Medieval- Arcos e Bestas:

''Uma besta em boas mãos, e não havia ninguém melhor do que os genoveses, teria um alcance maior que um arco reto, mas não se tivesse uma corda úmida. O alcance extra não era grande vantagem, porque levava tanto tempo para se rearmar uma seta, que um arqueiro poderia avançar para o raio de ação e disparar seis ou sete flechas antes que o inimigo ficasse pronto para disparar sua segunda seta. Muito embora Thomas entendesse aquele desequilíbrio, ainda estava nervoso. O inimigo parecia muito numeroso e os tambores Franceses eram grandes tímpanos pesados com peles grossas que retumbavam como as batidas do coração do diabo no vale. Os cavaleiros inimigos avançavam pouco a pouco, ansiosos por esporearem suas montarias contra uma linha inglesa que eles esperavam estar profundamente ferida pelo assalto das bestas enquanto os soldados ingleses arrastavam os pés e se juntavam, fechando a linha para formar fileiras sólidas de escudos e aço. As malhas tiniam e tilintavam.''- Thomas, O arqueiro (I), Bernard Cornwell



A origem do arco perde-se no tempo. O facto de a maioria deles terem sido construídos em madeira, (especialmente no seu início), fez com que a maior parte não tivesse durado até aos nossos dias. No entanto existem desenhos antigos de arqueiros, muitos dos quais ilustram as paredes de algumas cavernas, dando a entender que eles são provavelmente mais velhos do que se pensa.
Existem derivados do arco como a Besta e a Balista que conferem, no primeiro caso, uma maior precisão e facilidade de execução, uma vez que a Besta permite a sua utilização apenas com uma mão, ficando assim a outra mão livre para defesa ou controle do cavalo. No segundo caso, a Balista era uma versão da Besta e era utilizada principalmente em manobras de cerco.

Especificações do arco:

O arco curto tinha menos de 1,6 metros de comprimento. A besta mecânica de manivela era uma arma perfurante, cerca de 1,2 metros de diâmetro e tinha um alcance de 340-350 metros. Ela só poderia liberar cerca de duas flechas por minuto. O arco longo tinha cerca de 1,8 metros de comprimento e podia perfurar a armadura a uma distância de 180 metros. Um arqueiro habilidoso poderia liberar entre 10 e 15 flechas por minuto.

Flechas:

Flechas antigas tinham grandes pontas que saltavam para fora ou quebravam quando atingiam a armadura. Para resolver esse problema, flechas pontudas foram inventadas.As flechas com pontas longas foram projetadas para perfurar de longe e pontas curtas para penetrar armaduras. Os corpos das flechas eram mais curtos e ligeiramente mais espessos do que os das flechas regulares.

Os primeiros arcos e flechas usados na Idade Média eram arcos curtos, que foram utilizados principalmente para a caça. William, o Conquistador, introduziu a besta para a Inglaterra em 1.066. O arco longo originou-se no sul do País de Gales por volta de 1.150 e dominou a guerra até meados do século XVI
Com o aparecimento das armas de fogo o arco e flecha perderam a sua importância militar, sendo que atualmente apenas são usados em alguns exercícios de caça ou competições desportivas.

OBSERVAÇÃO: Salve Guerreiros e Guerreiras! Tudo bem? Espero que vocês tenham gostado. Coloquei algumas coisas sobre Arcos e Bestas. Quando falamos em arco, é um assunto muito complexo, principalmente quando chegamos nas flechas. Sim, é um assunto extremamente complexo. Vou deixar um link aqui bastante interessante sobre as flechas, principalmente para quem curti RPG Emoticon wink http://dungeoncompendium.blogspot.com.br/…/tecnologia-medie…
Fontes:
http://origemdascoisas.com/a-origem-do-arco-e-flecha/
Castles: Arco e flecha [em inglês]
Historical Weapons: Arco e flecha [em inglês]
Talk Archery: O arco [em inglês]
Medio Evo: Arco curto medieval [em inglês]
Middle Ages: Arco [em inglês]
The Beckoning: O arco e flecha no período medieval [em inglês]
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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Mitologia Celta- Os druidas:

''Mas o destino, como Merlin sempre nos ensinava, é inexorável. A vida é uma brincadeira dos Deuses, costumava dizer Merlin, e não existe justiça. Você precisa aprender a rir, disse-me ele uma vez, ou simplesmente vai chorar até morrer.'' - O Rei do Inverno

 
Os druidas eram os sacerdotes e filósofos dos celtas. Acredita-se que seu nome se deriva da palavra celta ''derw'', que significa carvalho, porque a veneração por essa árvore era um ponto essencial de sua religião. Os
druidas são tão antigos como os brahamanes da índia, os magos do Oriente e caldeus, e demais filósofos famosos da Antiguidade. Eram os árbitros soberanos de tudo que tinha relação com a religião e formavam um corpo muito numeroso, como também poderoso. Existia um chefe chamado O Grande Druida, com residência em Bretanha, lugar em que se aprendiam os mistérios mais reservados. Seu princípio fundamental era não deixar nada escrito, pois toda sua ciência se encontrava compreendida em uma série de composições poéticas que memorizavam e que continham todos seus mistérios, por isso pouco conhecidos. Seu principal dogma era a imortalidade da alma. 

Em todos os países celtas, o druida desempenhava um papel primordial na sociedade: aconselhava o rei, ensinava ciências, sobressaía-se na medicina e na astronomia. Era também o padre, o juiz e a memória do povo. Sabiamente, não deixou escritos para testemunhar sua generalidade.

Uma comunidade de sábios deixa poucos traços materiais de sua existência. Para fazer a reconstituição da história dos druidas e encontrar suas mensagens, dispomos apenas, infelizmente, do testemunho de autores a serviço do Império Romano e de lendas compiladas por monges irlandeses, gauleses e bretões da Idade Média. Documentos por vezes muito suspeitos, mas numerosos e de procedências bastante diferenciadas, eles permitiram que fossem feitas verificações, e algumas de suas informações foram confirmadas por descobertas arqueológicas. Assim, historiadores, linguistas e arqueólogos restabelecem, pouco a pouco, a herança perdida.

O prestígio dos druidas era imenso. Júlio César relatou que eles recebiam grandes honras, a ponto de serem dispensados do serviço militar e isentos de qualquer encargo, inclusive do pagamento de impostos. Os druidas certamente se ocupavam das tarefas da religião e presidiam os rituais públicos mas, magistrados respeitados, faziam igualmente com que fosse cumprida a justiça, regulamentando as diferenças entre particularidades ou entre povos. Não havia apelação contra as suas sentenças, e os imprudentes que não as respeitassem sofriam os rigores da interdição, eram banidos da sociedade  e totalmente excluídos de qualquer vida social.

Aplicavam-se no estudo da geografia e da astronomia, e em particular no movimento e na influência dos planetas, para assim profetizar o futuro. Plínio, filósofo grego, conta que um druida, antes de pegar uma planta, examinava a posição dos astros, e quem a pegava devia estar vestido de branco, com os pés lavados e descalços, e a eleição da mão a utilizar não era por acaso. Colhiam o "visgo" com muita veneração, como um de seus ritos, durante o mês de dezembro, que consideravam sagrado. Os adivinhos encabeçavam a marcha, entoando cânticos a suas divindades; depois, um arauto levava o caduceu, acompanhado de três druidas. Fechava a comitiva o chefe dos druidas, seguido por todo o povo, que subia ao carvalho e cortava o visgo com uma foice de ouro. Os sacerdotes recebiam-no com muito respeito e no primeiro dia do ano era repartido ao povo como algo sagrado. A água do visgo, segundo os druidas, dava a fertilidade e era uma defesa contra os venenos.
 
Nas lendas artunianas temos personagens como: Merlim, Nimue e Arthur. A seguir um pouco sobre esses personagens:

King Arthur's Statue
Arthur: Filho de Uther Pendragón e de Ingraine. Dizem as lendas que sua mãe foi uma das mulheres que escaparam da Atlântida, antes que esse continente fosse submergido pelas águas. Outras lendas contam que estava ligada por laços familiares com as fadas e com a Dama do Lago. Uther Pendragón descendia dos antigos reis britânicos. Arthur tomou-se rei da Grã-Bretanha quando tirou a espada de uma pedra; não era a Excalibur, como se pensa, mas sim um símbolo, de seu direito de governar, disposto por Merlim, que havia provocado o seu nascimento, disfarçando Uther, fazendo-o passar pelo marido de Ingraine — Gorlois — e mais tarde, Merlim converteu-se em seu conselheiro.
 
Merlim: Mago e custódio da linhagem dos Pendragón. Nascido de uma virgem que foi visitada por um espírito, Merlim Emrys foi descoberto pelos homens de Vortigern como a vítima perfeita para um sacrifício que ajudasse a fixar os cimentos de sua torre que vinha abaixo. Merlim falou da eterna batalha entre os dragões que se ocultavam sob os cimentos, em um relato que põe de manifesto a natureza racial desse tema. Pronunciou algumas profecias sobre a Grã-Bretanha em versos gnômicos e converteu- se no conselheiro de Ambrosius Aurelianus e de seu irmão Uther, e durante esse reinado, construiu magicamente Stonehenge. Arthur herdou Merlim como seu conselheiro mágico, somente por um tempo, antes que Merlim regressasse ao reino de seu pai para converter-se no guardião eterno da Grã-Bretanha, segundo as fontes mais antigas. Segundo fontes francesas, contam que ele foi sucumbido aos encantos de Nimue. Merlim foi o principal artífice da estratégia dos Pendragón e o guardião oculto da Terra que, em tempos mais antigos, foi chamada Clas Merlim ou Recinto.


illustration: Nimue by Denise Garner

Nimue: Chamada às vezes de Viviane. Era a filha de Dionas, um Cavaleiro devoto de Diana. Nimue assimilou a figura da Dama do Lago em algumas tradições posteriores. Merlim ensinou-lhe as artes mágicas e acabou amando-a, segundo Malory, de maneira que Nimue conseguiu lhe atrair até uma grande rocha, na qual Merlim ficou preso sob ela.

Druidas- Seu último refúgio: a Irlanda

Para muitos deles, reagrupados em comunidades, o exílio britânico terminou no ano de 61, na terrível matança da ilha de Mona (na época, um grande  colégio druídico, hoje é a atual Anglesey), onde homens, mulheres e crianças foram assassinados, e da qual o historiador Tácito nos deixou uma terrível descrição, antes de concluir: "Colocou-se então uma guarnição nas casas dos vencidos e foram destruídas suas madeiras consagradas a cruéis superstições". Só restou aos druidas um único refúgio, aquele que permaneceria inviolado e inviolável enquanto seus habitantes respeitassem seus deuses: a Irlanda. Foi então que a lenda se misturou estranhamente à história.

Eles aterrizaram na Irlanda numa segunda-feira, quando da festa de Beltane. Chegaram sem navios ou barcos, sobre sombrias nuvens somente com a força de seu druidismo. Trouxeram com eles a Pedra Lia Fail, a Pedra do Destino, para o Ônfalo (umbigo) do Mundo que ficava em Tara, centro sagrado da Irlanda; trouxeram também a Lança de Lug, a espada de Nuada e o Caldeirão do Dagda: objetos fabulosos que se encontram sob diversas formas em todas as lendas da tradição celta. "Os Tuatha Dé Dánann estavam nas Ilhas do Norte do Mundo, aprendendo a ciência e a magia, o druidismo, a sabedoria e a arte. E ultrapassaram todos os sábios das artes do paganismo." (A Segunda Batalha de Mag Tured" - ou Moy Tura, traduzido para o francês por C. J. Guyonvarc'h).

Essas três palavras, Túatha Dé Dánann, significam Tribo da Deusa Dana. Mas o historiador irlandês Geoffrey Keating forneceu, no século 17, outra explicação, coincidente com a teoria das três funções, fundamento da sociedade indo-européia e, consequentemente, da sociedade celta (nobres/sacerdotes/artesãos), segundo Georges Dumézil: "Outros dizem que eles se chamam Túatha Dé Dannan devido aos três grupos que formavam quando vieram para a Irlanda nessa expedição. O primeiro bando, que se chamava Túath, tinha a posição de nobreza e comando das tribos. (...) O segundo bando era o que se chamava de Dé (deuses) assim com eram seus druidas. O terceiro bando, que se chamavam Dánnan, era o das artes ou das técnicas ." (...)

As lendas são verdadeiras, tão verdadeiras quanto a história.

Júlio César, informado por seus espiões, afirmou: "Acredita-se que sua doutrina nasceu na Grã-Bretanha e dessa ilha foi para a Gália". 

OBSERVAÇÃO: Boa tarde/noite/dia, guerreiros e valquírias! Tudo bem? Bom... fiz esse texto para vocês, onde eu peguei duas fontes, disponível aqui em baixo :) Como vocês podem perceber, algumas histórias artunianas escrevem: Merlin, com ''M'' no final, ou, Artur, com ''H''. Usei como referencia, uma citação de uma livro especial que eu SUPER indico para a leitura: O Rei do Inverno. Agora vou deixar uma parte da nota histórica desse livro ( O Rei do Inverno), para vocês sobre Artur:

'' Podemos saber muito pouco sobre Artur, mas podemos deduzir muito da época em que ele provavelmente viveu. A Grã- Bretanha nos séculos V e VI deve ter sido um lugar medonho. Os romanos protetores tinham partido no inicio do século V, e com isso os britânicos romanizados foram abandonados a um círculo de inimigos temíveis. Do oeste vinham os saqueadores irlandeses que eram celtas, parentes próximos dos britânicos, mas que mesmo assim eram invasores, colonizadores e escravagistas. Ao norte ficava o estranho povo das Terras Altas da Escócia, sempre pronto a vir para o sul em ataques destruidores, mas nenhum desses inimigos era tão temido quanto os odiados saxões que primeiro atacaram, depois colonizaram e em seguida capturaram o leste da Grã- Bretanha, que como tempo, capturaram o coração da Grã- Bretanha e mudaram seu nome para Inglaterra.'' - Bernard Cornwell, nota histórica, pág. 541 ( O Rei do Inverno) 

Espero que tenham gostado, não deixem de entrarem nos links! Lembrando que eu escrevo textos motivadores. Se caso você quiser saber mais, é só estudar sobre o assunto ;) Outra observação EXTREMAMENTE importante: existem DIVERSAS histórias/éstorias sobre o Rei Artur. Por favor, pesquisem! Eu, particularmente, amei o trabalho do Cornwell, mesmo ele criando alguns personagens fictícios. Espero ter ajudado! Ah... agora vocês sabem o porque do meu ''#Nimue''.

Fontes:
http://www.druidismo.com.br/index/Druidismo/Entries/2010/10/11_druidas%2C_os_sabios_da_floresta.html
 
Raimonde Reznikov *
Tradução de Enviar Serapicos
(publicado na revista "História Viva" - Duetto Editorial - www.duettoeditorial.com.br/)

* Raimonde Reznikov é especialista em tradições indo-européias

http://www.luzdegaia.org/downloads/livros/diversos/Avalon_e_o_Graal_H.Gerentadt.pdf
#Nimue
 

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Mitologia Nórdica- Os cabelos de Sif e a criação do martelo Mjölnir:


Os mitos nos contam que o deus possuía três preciosos objetos, os quais eram seus tesouros. Um dos tesouros era o cinto Megingjord, o qual consistia num "cinto de força", ou seja, quando o deus usava o cinto, este lhe aumentava a força. Uns dizem que isso lhe duplicaria a força, outros falam que o cinto aumentaria em dez vezes a sua força. O segundo tesouro eram as luvas de ferro chamadas de Járngreipr, que dizia-se que com estas luvas, o martelo jamais escorregaria das mãos do deus. Contudo, o maior tesouro que Thor possuía era o seu martelo de cabo curto, chamado Mjölnir o qual se tornou um símbolo de seu poder, de seu culto e de sua própria representação seja mitológica ou atualmente na cultura pop. De fato, o Thor dos quadrinhos não usa o cinto e as luvas de ferro, apenas o martelo. 

Mas, para conhecermos a origem do icônico martelo que conjurava trovões, raios e tempestades, e que esmagava o crânio de gigantes, primeiro devemos saber a ligação de Sif com essa história.

Tudo começou quando certa vez Sif se encontrava dormindo, Loki na ocasião decidiu pregar uma peça de mau gosto, então com uma faca ele cortou os longos e belos cabelos da deusa, e fugiu dali. Sif quando acordou notou que seus cabelos estavam curtos, ela que possuía uma grande admiração por estes, pôs a cair em choro, então cobriu a cabeça com vergonha. Quando Thor retornou para casa, foi procurar sua esposa e a encontrou muito triste, quando lhe foi revelado o ocorrido, ele ficou furioso e perguntou se Sif tinha ideia de quem havia feito aquilo. Ela mencionou que talvez fosse obra de Loki, pois ele era conhecido por pregar travessuras.

Thor furioso, partiu para encontrar Loki. Ele não matou o mesmo na ocasião, pois este pediu clemência por sua vida, e prometeu que iria conseguir os cabelos de Sif de volta. Ao mesmo tempo, Odin entrou na discussão e disse que Loki também teria que recompensar os deuses com presentes, neste caso ele teria que dar presentes para Thor, Freyr e o próprio Odin. Tendo essa difícil tarefa em mãos, o ardiloso Loki partiu para encontrar alguns anões, os quais eram famosos por serem os maiores artífices e ferreiros do mundo.

Loki procurou dois anões chamados Brokk e Eitri, conhecidos como filhos de Ívaldi. Os anões no primeiro momento se recusaram a aceitar o pedido de Loki, mas ele apostou sua vida naquilo, para que os dois fizessem três preciosos tesouros. Os anões disseram que fariam os tesouros que Loki pediu, mas também fariam seus próprios presentes para os deuses. Os dois irmãos aceitaram o trato e começaram a trabalhar, mas o ardiloso Loki se transformou num mosquito e começou a atrapalhar o trabalho de Brokk o qual era responsável por coordenar o fole que aquecia a forja, enquanto Eitri realizava o restante do trabalho. Loki não querendo que os anões o enganassem, fabricando tesouros ruins, começou a ameaçar o serviço de Brokk. A ideia de Loki era impedir que os presentes dos anões fossem melhores dos quais eles faziam para ele.

Num primeiro momento eles criaram um javali com a crina de ouro, então continuaram a trabalhar enquanto Loki transformado em mosquito picava a mão, o pescoço e as pálpebras de Brokk. No final os anões criaram seis presentes, sendo que três foram dados por Loki e os outros três dados por eles dois
Loki deu uma majestosa lança chamada Gungnir a qual dizia que jamais erraria o alvo, a presenteando a Odin. Para Thor ele deu os cabelos de ouro para sua esposa, e para o deus Freyr (irmão de Freya) representante dos deuses Vanir, este recebera o navio Skidbladnir o qual dizia-se que nunca faltaria vento para aquele navio, desde que as velas fossem içadas, e além disso o navio poderia ser encolhido, a ponto de ser guardado no bolso ou em uma bolsa.

Por sua vez os anões deram a Odin um anel de ouro chamado Draupnir, o qual a cada nove noites, ele se multiplicava, criando anéis idênticos. Para Freyr eles deram o javali de crina dourada (Gullinbursti), o qual possuía o poder de correr pelos ares e sobre a água. Por fim, os anões deram para Thor um martelo de cabo curto, chamado Mjölnir o qual se tornou a principal arma e símbolo do deus dos trovões e raios. Os três deuses consideraram o martelo o mais precioso dos presentes.
O martelo concedeu imenso poder a Thor, canalizando suas forças, de forma a lançar raios, e ao mesmo tempo esmagar inimigos, pedras e montanhas. Além disso, os mitos contam que Thor arremessava o martelo e este sempre retornava a sua mão. Contudo, diferente das histórias em quadrinhos, outras pessoas conseguiam erguer o martelo, tal fato fica evidente quando o Mjölnir foi roubado uma vez.


OBSERVAÇÃO: Imagem- Os anões Brokk e Eitri, Loki e os presentes feitos por ele, em destaque o martelo Mjölnir.


Fontes:
STURLUSON, Snorri. Edda em prosa. Tradução, apresentação e notas de Marcelo Magalhães Lima. Rio de Janeiro, Numen, 1993.
INDOW, John. Norse Mythology: A guide to the gods, heroes, rituals, and beliefs. New York, Oxford University Press, 2001.
DAVIDSON, Hilda. Thor hammer. Folklore, n. 76, 1965, p. 1-15.
DAVIDSON, Hilda. O deus do trovão. Deuses e mitos no norte da Europa. São Paulo, Madras, 2004, p. 61-77.
EDDA Mayor. Tradução e notas de Luis Lerate. Madrid, Alianza Editorial, S.A, 1984
site- Seguindo passos historia ( no site tem mais fontes e textos)

#Nimue

Anões e Elfos, part. 2 :

- Desonesto é aquele que diz adeus quando a estrada escurece - disse Gimli.

- Talvez - disse Elrond -, mas não jure que caminhará no escuro aquele que não viu o cair da noite.

- Ainda assim, o juramento feito pode fortalecer o coração que treme - disse Gimli.

- Ou destruí-lo - disse Elrond. - Não olhem muito à frente! Mas partam agora com coragem nos corações! Adeus, e que a bênção dos elfos e dos homens e de todos os Povos Livres os acompanhe. Que as estrelas brilhem em seus rostos!'' - A Sociedade do Anel, J.R.R. Tolkien.

 Anões e Elfos escuros. Part.2

Algumas fontes não diferenciam os anões dos elfos escuros, atribuindo-lhes a mesma origem, com características, habilidades e nomes idênticos. Habitavam ora a terra- nos rocheados e grutas- ora o reino de Nidvelir.

Tanto os anões quanto os elfos confeccionavam objetos ou armas mágicas para as divindades- como a fecha encatada Gungnir, que jamais errava o alvo; o anel mágico Draupnir, de Odin, que se multiplicava nove vezes a cada nona noite; o poderoso martelo Mjollnir, de Thor, que voltava ás mãos de quem arremessava; o javali de ouro Gullinbursti, que brilhava no escuro; o barco mágico de Frey, Skidblandnir, que podia ser diminuído até caber no bolso; o cabelo de ouro da deusa Sif; o palácio inacessível da curandeira Mengloth, e, por fim, Brisingamen, o colar mágico de Freya.

Além de suas habilidades mágicas e manuais, atribuía-se aos anões o dom da onisciência, da premonição e da sabedoria. Foram eles os responsáveis pela preparação do elixir da inspiração Odhroerir, feito do sangue de Kvasir misturado com mel, frutas e ervas.

Os anões continuam sendo personagens das fábulas e dos contos de fada e recebem nomes e descrições diferentes conforme o país de origem( gnomos, mineiros, tomte, kobolds, goblins ou brownies). Segundo uma crença, que persistiu por muito tempo, o eco era criado pelos gnomos da montanha, que imitavam a voz humana.

As oferendas para atrair a proteção e a boa vontade dos gnomos incluíam pedaços de metais, pedras semipreciosas, cristais, moedas ou pirita, leite com mel e gengibre, manteiga e ervas aromáticas, principalmente tomilho e manjericão. Como os gnomos têm pavor de objetos de ferro pontiagudos, nos rituais a eles dedicados jamais devem ser apontados para eles o punhal ou a espada. Eles também temem as figuras grotescas- como as carrancas ou gárgulas-, o que levavam os vikings a remover as figuras de dragões e serpentes de seus navios ao se aproximar do litoral.

[...]'' Era também o calabouço  para seus prisioneiros. Assim, para a caverna levaram Thorin- não com muita gentileza, pois eles não morriam de amores por anões e pensavam que ele era um inimigo. Nos dias antigos, haviam travado guerras com alguns anões, a quem acusavam de roubarem seus tesouros . É justo dizer que os anões contavam uma história diferente , e diziam que apenas pegaram o que lhes era devido, pois o rei dos Elfos negociara com eles para que trabalhassem seu ouro e prata brutos, e depois recusara-se a pagar-lhes o que devia. Se o Rei dos Elfos tinha um fraco, era por tesouros, especialmente prata e pedras brancas, e, embora seu estoque fosse rico, estava sempre ávido por mais, já que ainda não detinha um tesouro tão grande como o dos grandes Reis Élficos de antigamente. Seu povo não fazia mineração nem trabalhava metais ou pedras; também não se preocupava muito com o comércio ou com o cultivo da terra. Tudo isso os anões sabiam muito bem, embora a família de Thorin não tivesse nada a ver com a velha disputa de que falei.  Consequentemente, Thorin, quando desfizeram o encantamento e ele voltou a si, ficou furioso com o tratamento que lhe haviam dispensado; além disso estava determinado a não permitir que lhe arrancassem nenhuma palavra sobre ouro ou pedras preciosas.'' - O Hobbit, J.R.R. Tolkien, pág. 163

OBSERVAÇÃO: Como prometido, '' Anões e Elfos''. Espero, novamente, que vocês tenham gostado! Não falei somente dos Anões e Elfos, voltei com alguns aspectos da primeira parte, como a origem dos nomes e algumas características dos Anões. Boa noite, e como sempre digo, se caso houver algo que não condiz, ou, algo a mais que você saiba, é só compartilhar! Imagem: Gimli e Legolas.

Fonte:
Livro- Mistérios Nórdicos, Mirella Faur ( https://books.google.com.br/books?id=7bAm16aGFIUC&printsec=frontcover&hl=pt-BR&source=gbs_ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false )
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Anões( Svartalfar, Dwarfs, Zwerge) Part.1

...Que suas barbas nunca deixem de crescer!( Bilbo para Thorin, filho de Thrain, Escudo de Carvalho.)

Anões( Svartalfar, Dwarfs, Zwerge) Part.1

Nas Lendas e nos mitos nórdicos, são inúmeros os episódios que são descritas aparições e atividades dos anões, conhecidos como gnomos nas mitologias celta e eslava.
Os anões eram seres telúricos, que moravam nos subterrâneos de Midgard, no reino de Svartalfheim, e se deixavam ver pelos homens na proximidade de grutas, minas e montanhas. Simbolizavam os poderes mágicos, detinham habilidades manuais e artísticas e conheciam os tesouros escondidos. Também personificavam a força elementar telúrica, pois tinham qualidades como tenacidade, destreza, laboriosidade e longevidade, mas também eram egoístas, mesquinhos, ladinos e ávidos por riquezas.

Os mitos atribuem sua origem á decomposição do cadáver do gigante Ymir, do qual emergiram como larvas, recebendo depois dos deuses a forma humanóide, a inteligência e as habilidades manuais. No poema ''Völuspa'', sugere-se que tenham surgido do sangue e dos ossos de gigantes. Não há relatos de anões do sexo feminino, por isso são comuns as cópulas dos anões com deusas e mortais, em troca das jóias por eles fabricadas. Foi assim que quatro deles conseguiram fazer amor com a deusa Freya, cedendo-lhe depois o famoso colar mágico Brisingamen.

Os anões são descritos como homensinhos de cabeça grande, longas barbas grisalhas, tronco atarracado, pernas curtas e rosto muito enrugado. Vestiam-se com roupas de couro, aventais com bolsos onde guardavam suas ferramentas, e gorros que lhes conferiam o dom da invisibilidade( ele podiam subitamente desaparecer no meio de uma névoa). Podiam ser prestativos e amáveis, ajudando os humanos a moer grãos, fazer pão, preparar cerveja, ajudar na colheita e na armazenagem dos produtos. Seus nomes indicavam suas atribuições: os tomte cuidavam dos cavalos; os tusse, das fazendas; os haugbo, da terra; os nisse, dos barcos; os gruvra, das minas; e os nokk, dos rios. Se fossem humilhados ou agredidos, vingavam-se dos agressores prejudicando-os, escondendo seus objetos ou pregando peças.

Alguns dos anões mais conhecidos são relacionados abaixo:

Andvari- colecionador de ouro, rei dos anões e guardião do famoso '' ouro dos Nibelungen''. Ao ser forçado por Loki a lhe entregar seu tesouro, lançou sobre ele uma maldição, suposta causa do castigo ao qual Loki foi submetido posteriormente.

Brokk e Sindri- exímios ferreiros e ouvires, filhos de Ivaldi, um famoso artesão. Responsáveis pela confecção dos objetos mágicos e das jóias já citados.

Dain e Dvalinn- irmãos muito sábios, ensinavam os mitos e as magias para os elfos e os outros anões.

Fjalarr e Galarr- Irmãos que mataram Kvasir e de seu sangue fizeram Odhroerir, o elixir da inspiração poética e artística. Presos pelo gigante Suttung, entregaram-lhe o elixir em troca de suas vidas( Odhroerir também era conhecido como '' o barco dos anões''). Suttung encarregou sua filha, Gunnlod, de guardar o precioso elixir, mas ela o entregou a Odin, após ser seduzida por ele.

CURIOSIDADE: Na alquimia, os gnomos são interpretados como o mercúrio e o enxofre, os dois elementos responsáveis pela criação da pedra filosofal e do elixir da longevidade. Outra interpretação lhes atribui a conotação da matéria e espírito, e sua união e harmonização eram o verdadeiro objetivo do trabalho e da arte alquímica.

'' Em suma: os anões não são heróis, mas um um povo calculista, que têm em alta quanto o valor do dinheiro; alguns são ladinos e traiçoeiros, pessoas muito más; outros, não, são decentes o bastante como Thorin e Companhia, não se espera muito deles.''- Pág. 208, O Hobbit, J.R.R.Tolkien

OBSERVAÇÃO: Boa noite Guerreiros e Valquírias, tudo bem ? Hoje teve esse simples post sobre Anões. Espero que vocês tenham gostado, e como podem perceber, ficou faltando a parte dos anões com os Elfos. Porém, vai ficar para amanhã. Vai ter partes do livro do nosso querido J.R.R.Tolkien, porque sim <3 Como vocês podem imaginar, demora muito para transcrever, portando vou fazer isso amanhã. Obrigada por lerem e compartilharem nossos textos e imagens :) Beijos de luz!
Fonte:
Livro- Mistérios Nórdicos, Mirella Faur. Páginas: 60, 61 e 62
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Poemas nas guerras:

''...Só um idiota deseja guerra , mas assim que a guerra começa ela não pode se lutada com meia vontade. Nem pode ser lutada com arrependimento , mas deve ser levada com uma alegria terrível em derrotar o inimigo , e é essa alegria selvagem que inspira nossos bardos a escrever suas maiores canções de amor e guerra. Nós , guerreiros , nos vestíamos para a batalha como nos enfeitávamos para o amor : fazíamo-nos belos, usávamos nosso ouro , púnhamos cristas nos elmos engastados de prata, andávamos empertigados , cantávamos vantagem ,e quando as lâminas assassinas chegavam perto sentíamos como se o sangue dos Deuses corresse em nossas veias. O homem deve amar a paz , mas se não puder lutar de todo coração não terá paz.'' — Excalibur - Bernard Cornwell , Crônicas de Artur.

Livro: Excalibur, Bernard Cornwell. 

Guerreiros recitavam poemas em campos de batalha. Na hora do embate, enquanto alguns tremiam, outros improvisavam versos. Criar estrofes e recitá-las era considerado uma habilidade essencial do homem nórdico e estava presente do café da manhã ao jantar. Qualquer situação era motivo para declamar. O historiador islandês medieval Snorri Sturluson, autor do Edda em Prosa, considerada a maior fonte literária da mitologia nórdica, descreveu na Saga de St. Olaf, datada de 1230, um episódio que ilustra bem esse apreço. Logo antes da batalha de Stiklestad, em 1030, o rei Olaf 2°, da Noruega, pediu ao poeta do reino recitar alguns versos. Foram tão épicos que os sobreviventes agradeceram ao poeta por ter levantado a moral da tropa antes da derrota (o rei foi morto). A poesia eddaica tinha enredos envolventes em estrofes curtas, gravadas em pedras e pedaços de madeira. Os nórdicos tinham um incrível poder de concisão.


CURIOSIDADE: A poesia nórdica medieval é dividida entre poesia
eddaica e poesia skaldica. A poesia eddaica tinha como objetivo narrar as aventuras de deuses e heróis mitológicos, como os deuses Odin e Loki ou o herói Sigurd, enquanto a poesia skaldica tinha como objetivo recitar e enaltecer os feitos de condes, reis e heróis nórdicos, como os reis Ragnar Lodbrok e Olaf Tryggvason ou o herói Egil Skallagrimsson.

Fontes:
Livro- Excalibur, Crônicas de Artur
SUPER Vikings- A história Real
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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Guerreiros da Gália:

Guerreiros com rosto e corpo pintados de Azul? Quem eram?

Quem assistiu o filme Coração Valente, que conta a história do escocês William Wallace, vai recordar que na batalha final, ele, assim como seus homens pintam o rosto e o corpo de azul, isso deve-se a tradição celta que era mais comum entre os Pictos da Escócia.

Na última batalha de Boudicca, seu exército seguiu a tradição pintando seus corpos de azul, muitos deles nus, portanto lanças e espadas enquanto brandiam e gritavam ao som de tambores e cornetas.

A bravura dos guerreiros celtas sempre é citada em qualquer livro sobre esta civilização. Os celtas foram objeto de observações de vários autores romanos, que os descreviam como um povo bárbaro, inclusive Júlio César narrou sua conquista sobre a Gália nos famosos sete volumes do “De bello gallico” (ou “Sobre a guerra gálica”). Outros aspectos das características celtas são sempre destacados por esses autores de Roma. Um dos mais célebres relatos é do historiador romano Deodoro:

“... O aspecto é aterrorizante... São altos de estatura, com fortes músculos sob uma clara pele branca. Têm cabelos loiros, no entanto, não é um loiro natural: eles os descolorem... e os penteiam para trás. Parecem demônios de madeira, com seus cabelos grossos e despenteados como crina de cavalo. Alguns têm a face barbeada, mas outros – em especial altos dignitários - barbeiam as bochechas mas mantêm um bigode que cobre toda a boca... Eles vestem camisas bordadas e coloridas, com calças chamadas bracae e um manto preso aos ombros por um broche, escuro no inverno e claro no verão. Esses mantos são listrados ou quadriculados e possuem diversas cores...”

O espanto de Deodoro é bastante evidente. Neste pequeno trecho ele cita o aspecto “aterrorizante” dos celtas e, de certa forma, ele não estava errado. Em batalhas, os guerreiros celtas usavam os conhecidos capacetes com chifres, pintavam o corpo com tinta azul, era comum irem descalços e os guerreiros se organizavam de forma caótica em comparação as legiões romanas. Mas o fator que mais chamava a atenção destes autores era o hábito dos celtas conservarem as cabeças dos oponentes de grande importância, quase como um troféu. A cabeça após ser decapitada era mantida em caixas de madeira.

A imagem representa uma das conquistas dos celtas no norte da Itália na época 280 a.C.

O estudo sobre o dia-a-dia deste povo é um grande desafio que aos poucos está sendo superado. A falta de registros escritos sobre o seu cotidiano é o grande obstáculo, pois os celtas não o fizeram de nenhuma forma. Crê-se que foram os Druidas que proibiram o registro escrito, mas esse fato também não se confirma. Os únicos relatos que se dispõe são de autoria greco-romana e, em diversos aspectos, as informações podem não ser integralmente verdadeiras.

OBSERVAÇÃO: A Britânia como reduto celta era formada por diversas tribos e é fato que não eram coesas, havendo desde antes da chegada dos romanos, disputas territoriais. Porém, com a chegada dos romanos as tribos se juntaram para derrubar um inimigo em comum. E foi assim que os celtas foram conhecidos. Coloquei algumas citações como o Filme '' Coração Valente'' e ''A revolta de Boudica'' (60-62), que em sua ira essa grande rainha conseguiu o que apenas Vercingetorix na Gália havia conseguido quase um século antes; unir tribos celtas.Depois vou fazer um texto somente sobre ela e um outro sobre a Origem da palavra ''Celta''. Espero que tenham gostado :)
Fontes:
http://www.historiadomundo.com.br/celta/sociedade-celta.htm
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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Mitologia Nórdica: Chifres nos elmos? Verdade ou Mito?


Totalmente mito! ‘’Muitas imagens fantasiosas foram ligadas a eles( Vikings), e dentre as principais estavam o elmo de chifres, o berseker e a execução medonha chamada de ‘’arreganhado’’( spread-eagle) em que as costelas da vítima eram rasgadas e separadas para expor os pulmões e o coração. Isso parece ter sido uma invenção posterior, assim como a existência do berserker, o guerreiro nu e enlouquecido que atacava num frenesi insano. Sem dúvida havia guerreiros em frenesis insanos, mas há evidência de que nudistas lunáticos aparecessem regularmente no campo de batalha. O mesmo é verdadeiro com relação ao elmo com chifres, para qual não há absolutamente qualquer prova contemporânea, Os guerreiros vikings eram sensatos demais para colocar um par de protuberâncias nos elmos, posicionadas de modo ideal para permitir ao inimigo derrubá-lo da cabeça. É uma pena abandonar esse ícone do elmos com chifres, mas infelizmente eles não existiram.’’- Bernard Cornwell, pag.360

O elmo com chifres passou a se tornar popular não no período medieval propriamente, mas sim a partir do século XIX com o Romantismo, o qual influenciou uma onde de nacionalismos europeus, onde pintores passaram a pintar sobre os ancestrais de seus países. Pelo fato de que a arqueologia ainda estava se desenvolvendo naquele século, muito sobre a história viking e seus costumes e cultura era desconhecido, e o pouco que se sabia advinha de alguns relatos escritos, principalmente de estrangeiros, pois os vikings não usaram o alfabeto rúnico para escrever sua história.

Logo, alguns destes relatos referiam-se aos vikings como cruéis bárbaros do Norte, que assolavam mosteiros e os mares com a pirataria. Que matavam cristãos a sangue frio e com resquícios de crueldade. Além disso, os pintores que desconheciam a história viking foram buscar inspiração em outros locais, logo, passaram a pintá-los com elmos adornados com asas (algo característico dos celtas, pois havia capacetes adornado com asas, mas era algo ligado a ornamentação, e não ao uso prático no campo de batalha).

Todavia, as asas foram substituídas pelos chifres, por parecerem mais apropriados a imagem "diabólica" daquele povo, além do fato, que na Idade Média, os chifres eram associados ao mal, aos demônios e a Satã. Logo, tomando como referência relatos cristãos que falavam de selvagens do Norte que pareciam ter saído do Inferno, o elmo com chifres caiu de forma apropriada para esse imaginário que continuou a ser reelaborado pelo século XIX e XX, e ainda hoje, se encontra presente em algumas representações e fixado no imaginário comum. No entanto, muitos livros e produções recentes estão combatendo essa visão deturpada da vestimenta viking e de alguns aspectos da sua cultura.

Nessa imagem, esse seria o elmo usado pelos vikings. É importante mencionar que o uso de armaduras entre os vikings não foi algo comum. O uso de cota de malha se devia principalmente aos que tinham condições financeiras para comprá-la, pois era algo caro, ou teria a herdado do pai, do avô, ou a roubou. Muitos vikings iriam para o campo de batalha utilizando suas vestes normais, ou até mesmo poderiam ir sem camisa.
Fontes:
Livro- O último Reino, Bernard Cornwell, Nota Histórica.
Blog-Seguindo os passos História
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