quinta-feira, 7 de maio de 2015

Mitologia Nórdica- Yggdrasil e seu significado:

O número nove na Mitologia Nórdica tem uma grande importância e está relacionado com todo o Universo, com o homem, com a magia nas Runas e no Seidhr. O Universo Nórdico está dividido em nove mundos espalhados pelo eixo do mundo, a árvore Yggdrasil, que se encontra sobre o corpo do gigante e primeiro deus nascido da constrição com a expansão do gelo com o fogo, da ordem com o caos (ambos são forças primárias e caóticas), Niflheimr com Muspellsheim em Ginnugagap.




Também foram“Nove longas noites” que o deus Odin ficou em auto-sacrifício, preso a Yggdrasil, ferido pela própria lança, nove dias e nove noites sem ninguém dar-lhe água ou comida, até ingressar numa dimensão além do mundo dos mortos e retornar vitorioso com o conhecimento das Runas.

No “Hávamál” a consciência dos nove mundos teria então proporcionado a Odin a revelação dos mistérios que circundam a existência destino dos homens. Para Odin, nove é o número simbólico que revela os diferentes aspectos da condição humana e a vivência de cada um deles, seja na mitologia, nas Runas ou no Seidhr, seria facilitadora do despertar individual.

Esta revelação de um caminho “xamãnico” entre os nove mundos é descrita pelos reinos (mundos) e suas características comparadas ao “ser humano” por completo. 

Explicação do significado da Yggdrasil a partir de um poema:

''Quatro são os cervos, que do alto

roem com seus pescoços inclinados:
Dain e Dvalin, Dúneyr e Dúratror.
34. Mais serpentes habitam abaixo do freixo Yggdrasill do que qualquer tolo pode imaginar,
Goin e Moin – filhos de Grafvítnir,
Grábak, Grafvóllud,
Ófnir e Sváfnir, sempre da árvore
os galhos estão roendo.
35. O freixo Yggdrasill um grande mal suporta mais do que os homens crêem,
mordem os cervos acima, seus lados se apodrecem, e Níðhöggr roendo abaixo.''

Percebemos nessas estrofes que não somente este monstro e outras criaturas
estavam diretamente conectados com Yggdrasill, mas também o mundo dos homens, dos gigantes e os reinos subterrâneos. Sendo o pilar do universo, todos os mundos, todos os seres e a grande maioria das situações míticas de algum modo possuíam vínculo com a grande árvore. Este vínculo poderia ser caótico – no sentido de tentar destruir Yggdrasill – ou ordenador, realizando atos para salvar este pilar cósmico. 

No primeiro caso temos tanto os cervos, as serpentes e o dragão roendo os ramos e raízes, quanto no segundo as nornas regando a árvore. Mas o próprio freixo conteria desde o seu surgimento um início de apodrecimento (estrofe 35), revelando que a concepção nórdica de universo era como algo dinâmico, instável e imperfeito: “sua própria instabilidade o torna mutável, origina desenvolvimentos que têm lugar no tempo em, no fim das contas, o conduzirá à sua destruição”.

100 Sendo o elemento central deste dinamismo nas fontes mitológicas, a imagem de Yggdrasill reflete também a importância do simbolismo da árvore ou da axis mundi nos antigos cultos germânicos, como o pilar Irminsul.

101 Vários locais sagrados eram realizados em bosques, enquanto cultos como os de Þórr foram associados ao carvalho.102 Mas entre os nórdicos, a árvore cósmica era particularmente vinculada ao maior dos deuses e a busca do conhecimento. 

O animal que se postava no seu cimo, uma águia (estrofe 32), era um animal associado
a Óðinn, que também mantinha um trono neste local. A tradução de seu nome,
“Yggdrasill: corcel de Ygg” (um dos epítetos de Óðinn), referia-se ao fato dele ter se
auto-sacrificado na árvore durante nove dias para obter mais conhecimento. Vários
pesquisadores percebem essa narrativa como uma reminiscência de mitos e cultos
xamânicos entre os escandinavos, influenciados pela região fino-úgrica – pois os enforcados são considerados como “cavalgadores” das próprias forcas,103 além da narrativa do próprio Óðinn amarrar seu cavalo Slepinir104 em Yggdrasill.
105 Para os xamãs siberianos, o poste central da yourte (tenda) simboliza as etapas da viagem iniciática pelos processos mágicos. Neste caso, para os escandinavos, a Yggdrasill poderia ter um simbolismo semelhante.106 A descrição da águia (estrofes 31 e 32), possui nítida associação com os cultos xamânicos, especialmente o transe e as viagens extáticas, assim como os cervos107 (estrofe 33). 

Já as serpentes e o dragão (estrofes 34 e
35) estão relacionados às descidas aos mundos subterrâneos pelos xamãs, tanto para obtenção de conhecimento quanto para iniciação (Eliade 1998: 417). A necromancia era uma das práticas recorrentes do xamanismo euro-asiático e as fontes édicas também
confirmam essa ligação: a consulta à profetisa do Völuspá, ressuscitada por Óðinn, a cabeça do gigante Mimir108 usada para responder questões e as várias viagens de deuses
aos submundos.109 Também as narrativas de metamorfoses das deidades estão associadas à animais totêmicos dos cultos extáticos: numa mesma narrativa, o deus
supremo transforma-se numa serpente e depois em uma águia (Skáldskaparmál 1). 

Outra conexão: duas das serpentes descritas na estrofe 34 (Ófnir e Sváfnir) como roedoras das raízes da árvore, também são alguns dos vários epítetos para Óðinn(Gylfaginning 2; Grímnismál 54); e tradução para sváfnir é “o adormecido”,110 que tanto pode estar relacionado ao estado de transe do xamanismo quanto ao fato desta serpente estar localizada no mundo dos mortos.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Mitologia Nórdica- ''dragão nórdico'':

O tema do dragão nórdico deve ser entendido inicialmente dentro dos três sistemas de reinterpretações oral-imagéticos. A maior parte das cenas, narrativas e tradições míticas da Escandinávia, durante o final da Era Viking, concentraram-se em três grandes sistemas imagéticos: Nibelungiano, Ragnarokiano e Valholhiano, que vão ser perpetuados pela tradição literária até final do século XIV.

OBSERVAÇÃO: O que eu vou escrever aqui vai ser uma coisa mais simples e menos complexa. Não vou falar nesse texto sobre os 3 grandes sistemas imagéticos, é muita coisa e para melhor entendimento teria que fazer por partes. Vou deixar a fonte no final, e antes de chegarmos no tema: '' Dragão Nórdico '', vamos relembrar alguns aspectos sobre Yggdrasil. 


Serpente na Yggdrasil


" O dragão tenebroso aproxima-se,
o réptil brilhante, voando abaixo de Niðafjöllum.
Níðhöggr carrega em suas asas os corpos de homens.
Agora deve afundar-se para baixo."


Níðhöggr, Nidhogg ou Nidogue, cujo nome significa "devorador de cadáveres", é o enorme dragão que vive em Niflheim, o mundo inferior nórdico. Ele roe as raízes mais fundas da árvore do mundo, Yggdrasil, com o objetivo de a destruir, aguardando o Ragnarök. Niðhöggr se alimenta de corpos mortos (está aí a origem de seu nome) e no Ragnarök ele ascenderá à Midgard levando os corpos dos mortos para batalhar. Após o fim do mundo e o renascimento do novo mundo, Niðhöggr continuaria a viver para balancear o bem, tendo um equilíbrio perfeito entre bem e mal; alguns veem isso como um reflexo da cultura cristã na época em que a Edda em Prosa foi escrita, que vê constantemente o mundo dividido entre bem e mal.
Na Yggdrasil, também há uma águia (Hræsvelgr) e um esquilo antropomórfico chamado Ratatosk. É o esquilo que alimenta a troca de insultos entre Nidhogg, nas raízes da árvore, e a águia, no topo dos galhos.

A destruição da árvore também é a missão de outros dragões, como Grabak, Grafvolluth, Goin e Moin.

De acordo com o Gylfaginning, parte da Prose Edda de Snorri Sturluson's, Níðhöggr ou "Nidhogg Nagar" é um ser que rói uma das raízes da árvore mundo Yggdrasil. É muitas vezes acreditado que são as raízes que bloqueiam Nidhoggr do mundo. Essa raiz se localiza sobre Niflheim e Níðhöggr a rói por debaixo. A mesma fonte também diz "o esquilo chamado Ratatosk corre para cima e para baixo da árvore, carregando palavras invejosas entre a águia e o dragão.

No seção Skáldskaparmál da Prose Edda Snorri especifica Níðhöggr como uma serpente em uma lista de criaturas como: Fafnir, Jormungand, Adder, Goin, Moin, Grafvitnir, Grabak, Ofnir, Svafnir.

Participação da Serpente em outros contos/sagas.


Tanto na narrativa nórdica quanto nas de origem célticas, o dragão vincula-se a simbolismos de fertilidade. Sendo um animal crônico, fertilizador da terra e habitante dos submundos, nada mais natural para o folclore do que encontrá-lo guardando virgens.

Outro fato que torna a saga de Ragnar uma perpetuadora de antigas tradições orais e folclóricas, foi a descrição de sua morte, atirado em um fosso de serpentes pelo rei
anglo-saxão Ella, da Northumbria, que para consolar o próprio destino compõe um canto de morte (o poema Krákumál), exaltando os valores do guerreiro e o ideal odínico. Como já vimos, uma cena muito semelhante ao desfecho da personagem de Gunnar no ciclo nibelungiano que, evidentemente, possuía uma finalidade de exaltar ainda mais tanto a figura do rei nórdico quanto o ideal de comportamento da aristocracia. Em certa frase da balada de Ragnar, encontramos uma imagem que se aproxima de outro sistema imagético-oral, o ragnarokiano: “As serpentes sugam meu corpo. Estarei morto em um instante” (Ragnars saga). Trata-se de uma passagem da Völuspá ,onde na sala Náströndu, nos mundos subterrâneos, o dragão: "Níðhöggr ali sugava os mortos". Com isso, vislumbramos que tanto as serpentes quanto os dragões foram associados às características dos vermes, de sugar os corpos, de animais subterrâneos relacionados aos mortos, a morte ou a passagem para outros mundos.
Tantos as drakkars quanto as knorrs eram enfeitadas com cabeças de dragões ou serpentes em suas proas

Jormungandr by Soni Alcorn-Hender

Significados aparentemente opostos: 

O dragão/serpente é relacionado a fertilidade (portanto, à vida), e em outras ocasiões, com a morte. E em outros termos, na mitologia nórdica também podemos perceber uma ambivalência no mesmo ser: o dragão pode ser agente da ordem estabilizando o mundo:(Jörmungandr) e do caos (matando o deus Þórr: Jörmungandr).

Fonte:  file:///C:/Users/Carol%20Pinho/Downloads/RELATORIO_DE_ESTAGIO_POS-DOUTORAL-VIKINGS%281%29.pdf

OUTRA OBSERVAÇÃO: Guerreiros e Valquírias, obrigada por lerem o texto, e mais essa observação o.O Nesse texto o foco é a serpente Jormungandr, porém existe um conto sobre Siegfried contra o Dragão, que eu vou colocar em um outro texto, espero que tenham gostado <3 
#Nimue

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Sociedade Nórdica- Construções Vikings:

O que pensar dos Vikings ? Grandes , fortes , com cabelo comprido e loiros ?Piratas? Não eram somente isso. Esse povo não sobrevivia somente de reputação e demorou um tempo para que eles saíssem de sua terra para procurar novas terras. E com isso e vivendo em terras frias com poucos recursos , criaram construções magníficas e recursos avançados, porém naturais , como o "telhado verde" ,localizada em L’Anse aux Meadows ("Caverna das águas vivas", em tradução livre), no extremo norte da ilha de Terra Nova, no Canadá.

As habitações dos vikings eram bastante simples. Madeira, pedras e relva seca eram os principais elementos utilizados na construção das residências. Além disso, observamos que a distribuição espacial do lar era bem simples, tendo, muitas vezes, a presença de um único cômodo. 

Nas famílias um pouco mais abastadas( como os Earl ou Jarl), observamos a presença uma divisão mais complexa composta por salas, cozinha e quartos.



Em razão das baixas temperaturas, os vikings tinham a expressa necessidade de uma vestimenta que pudesse suportar as baixas temperaturas do norte europeu. Geralmente, combinavam peças de tecido com couro e peles grossas que pudessem manter o seu corpo aquecido. Além disso, podemos ainda destacar que toda a população apreciava a utilização de acessórios em metal e pedra.


 Para quem conhece a literatura islandesa e a história real por trás da caricatura, um museu como Pjódveldisbaer é uma deliciosa visita ao espaço transformado por essa gente cheia de coragem, capaz de  conviver com terremotos, vulcões, geleiras e ainda criar técnicas e tecnologias imitadas por outros povos.  

Localizada entre a Europa e a Groenlândia – que as cinzas vulcânicas preservaram algumas moradias e instalações rurais, fornecendo os melhores retratos da vida cotidiana nos anos 900 a 1100, considerada a época de ouro desse povo nórdico á fazenda Stöng,Islândia- é um museu aperto das fazendas vikings e foi á única que ficou intacta depois do Vulcão.

As construções eram de placas de terra empilhadas, com estruturas e portas de madeira.  Não havia janelas, apenas portas e todas bem pequenas (um indicativo da baixa estatura dos vikings no Século X, como aliás, a maioria das populações humanas da época). 
Por dentro, o piso era de terra batida com buracos para fogueiras e suportes para caldeirões.
Em cômodos grandes, a família se acomodava sobre tablados em camas e bancos recobertos por peles de carneiros e tecidos de lã. Alguns dormitórios eram separados por paredes internas de tábuas. As áreas de trabalho incluíam tear, cozinha e laticínio (sim, os vikings produziam coalhadas, queijos e manteiga)

A reconstituição da fazenda Stöng dá uma ideia muito clara de como viviam os primeiros islandeses, cuja chegada àquela terra data do ano 874. Além de ser um povo muito inteligente, eram talentosos. Para quem não pesquisa sobre a sociedade Viking , pensam que  era um povo que somente saqueava e fazia viúvas. Mas não era só isso , além dos seus ataques surpresas feitas pelo mar , eram extraordinários artesões. Quem diria que no passado eram tão organizado e cheio de recursos? Simplesmente maravilhoso.
Seu trabalho é tão rústico e cheio de história que o cenário recriado em Pjórsárdalur pode recorrer à série Game of Thrones! Esse lindo cenário apareceu na 4° temporada .
Elenco de Game of Thrones se prepara para filmar em Pjórsárdalur.

domingo, 3 de maio de 2015

Sociedade Viking e guerreiros em batalha:


Se você procura um livro série , jogos ou até mesmo uma viagem relacionada á esse texto , indico : As crônicas Saxônicas de Bernard Cornwell ( sou apaixonada pela saga , uma das melhores )e Vikings , série feita pela BBC ( O próximo lançamento de uma série do mesmo gênero é das crônicas Saxônicas @.@ que emoção). Um lugar maravilhoso , cheio de cultura e energia desse povo ? Dinamarca, Norway , Irlanda e Escócia. Jogo ? Skyrim - meu favorito-.Peguei esse texto de um blog e achei o texto muito completo e bem explicado. Espero que gostem! E espero que procurem saber mais sobre esse povo magnífico!

Fatos e lendas sobre os Berserkers

Os Vikings foram os mais famosos guerreiros da Idade Média. Famosos por suas empreitadas pelo mar, seja atacando vilas e mosteiros pela Europa ou navegando para fins pacíficos de comércio ou colonização em outras partes do mundo. No tocante à guerra, além de seu conhecido navio (popularmente chamado de drakkar, dragão), uma arma tecnológica que lhes concedeu vantagem sobre os outros povos, os especialistas acreditam que eles tiveram outro importante elemento que explicaria seu imenso sucesso nas batalhas. Trata-se dos guerreiros de elite conhecidos pela designação de berserker.
Existem duas explicação atuais para este nome. A mais coerente diz que seria “camisa de urso” (do nórdico bear), e a outra “sem camisa” (do nórdico bare). Seja como for, talvez as duas possam ter coerência mútua. 
A ligação com o urso provém do simbolismo e da importância deste animal para as tribos de origem germânica, desde a antiguidade. E a segunda explicação, sem camisa, refere-se ao fato dos berserkers não usarem nenhuma proteção nas batalhas, como veremos a seguir.
A principal característica dos berserkers seria sua fúria incontrolável e assassina. Muito antes dos Vikings, um cronista latino chamado Tácito já se referia a guerreiros entre os germanos que possuíam estas características, que aliás, eram muito louvadas por sociedades que dependiam totalmente da guerra para sobreviver.

Desde o século 18 os estudiosos tentam explicar esse comportamento frenético dos berserkers (chamado de berserkergang). Uma das mais populares, principalmente após os anos 1960, era a de que utilizavam alucinógenos (o cogumelo Fly acaris, por exemplo, comum entre os xamãs da Lapônia) ou bebidas alcoólicas. Testes químicos e experimentos com voluntários reproduzindo situações de batalha concluíram que os efeitos colaterais derivados da ingestão destes produtos (náuseas, vômitos, tonturas), em vez de ajudar, acabaram prejudicando as ações humanas. Atualmente, portanto, são teorias descartadas.

Mas afinal, o que ocasionava o furor destes soldados medievais? As respostas vieram principalmente de duas explicações, relacionadas entre si. A primeira é relacionada ao culto do antigo deus Odin (ver Box). Segundo o cronista islandês Snorri Sturluson, os berserkers eram devotados fiéis à esta divindade. Seria, portanto, a sua fé em um deus xamânico, que privilegia a magia, o êxtase e a metamorfose humana em animais, que explicaria esse comportamento: “os homens de Odin avançam para as frentes sem armaduras, onde tão loucos como cachorros ou lobos, mordem seus escudos, e são tão fortes quanto ursos ou bois selvagens e matam pessoas com um golpe, mas nem o ferro nem o fogo os detém”, na famosa descrição de Snorri da Saga dos Ynglingos (escrita no século 13 d.C.). Escolhendo como totem pessoal o urso ou lobo (no caso dos guerreiros chamados de Úlfhedinn), estes guerreiros cultuariam a Odin através de danças e rituais portando máscaras animais e armamentos. 

Várias placas-amuletos encontradas na Escandinávia mostram cenas de homens vestindo peles (inclusive cabeças de lobo) e dançando numa espécie de êxtase. Outra fonte, escrita pelo imperador bizantino Constantino II (Livro das cerimônias), descreve uma “dança gótica” de soldados com peles e máscaras animais, realizada por membros da guarda varangiana. Esta tropa consistia de mercenários suecos que prestavam serviço em Constantinopla (Bizâncio).
A teoria da possessão espiritual também encontra eco em outras fontes literárias da Escandinávia. Na Saga dos Volsungos, de caráter lendário, o pai do famoso herói Sigurd (o Siegfried alemão), Sigmund e seu outro filho Sinflioti, em dado momento da narrativa agem como lobos, habitando uma floresta e até assassinando pessoas. Isso parece coincidir com o comportamento do guerreiro Bovdar Bjarki (descrito na Saga de Hrolf), que trabalhava para o rei Kraki da Dinamarca. Quando ele saia para o campo de batalha, transformava-se em um imenso urso, enquanto sua forma humana ficava em casa e parecia dormir. Isso está relacionado ao hamr (alma, forma) e a fylgja (forma espiritual que acompanha cada humano). Na religiosidade Viking, a hamr de um ser humano poderia se transformar em um animal e também estava relacionada à crença nos lobisomens (hamrammr, homens que viram lobos).
A segunda explicação para o frenesi dos berserkers e em consequência, no seu sucesso perante as batalhas, advém de causas puramente psicológicas. O pesquisador Peter Woodward, no programa Conquista da BBC, testou essa teoria. Em primeiro lugar, o tipo de equipamento mais usado por estes guerreiros era o machado, uma arma somente de ataque e sem defesa operacional, como a espada. Um soldado na frente de batalha, sem nenhum tipo de proteção (armadura ou escudo), gritando, urrando, dançando e atirando o próprio corpo contra os inimigos sem nenhum medo, causa um efeito psicológico devastador: é a agressão em estado puro, terrivelmente assustadora. Esse estilo suicida extremista fez os berserkers entrarem para a história da guerra.

Até agora só examinamos estes guerreiros no campo de batalha. Mas e na sociedade Viking? Qual o seu papel? Por um lado, eles eram admirados e muito requisitados. Faziam parte da guarda real de muitos reinos da Escandinávia e até de tropas de elite no exterior, como foi o caso de Bizâncio, como já comentamos ou na atual Rússia. Todas as expedições de pirataria ou em exércitos com formações maiores, contavam com grupos de berserkers, prontos para a ação. Para o referencial da elite aristocrática, eles eram muito valorosos e necessários, atingindo um status privilegiado na sociedade. Mas para o camponês, o pequeno proprietário ou fazendeiro do tempo da Escandinávia Viking, eles representavam coisas muito ruins. Loucos, agressivos, perigosos, com excessos sexuais, enfim, vários elementos presentes nas Sagas mostram esse outro lado que encontravam na sociedade. Por serem psicologicamente instáveis, muitas vezes eram de poucas amizades, em outras ocasiões eram banidos das pequenas comunidades (especialmente depois de assassinatos). Um caso exemplar é o relatado na Saga de Egil Skallagrímsson (ver Box, Vikings famosos). Vindo de uma família de berserkers (o pai: Skallagrím, careca feia, e o avô, Kveldi-Úlf, lobo do entardecer), Egil acabou tendo uma vida muito violenta. Em certa ocasião, já em sua casa e sem nenhum motivo aparente, foi tomado por um frenesi descontrolado, matando a criada após atacar o filho. Percebemos, então, que os berserkers ficavam possessos não somente em batalhas, sendo temidos também pelos próprios Vikings.

Estes intrépidos guerreiros deixaram seu legado para a história, sendo hoje um nome associado ao furor no inglês moderno (berserk) e integrante de romances, jogos de vídeo game, quadrinhos e desenhos japoneses, além de várias produções cinematográficas. Alguns destes filmes são a comédia Erik, o Viking, onde o ator Tim McInnemy interpreta o humorado e alucinado Sven, ou a produção Berserker, ainda inédita no Brasil. Os Vikings certamente ainda irão proporcionar muitos momentos de inspiração para a arte e o imaginário.




Técnicas de guerra entre os Vikings

As táticas militares utilizadas normalmente em unidades pequenas (a exemplo do “partindo como um Viking”, os ataques surpresas pelo mar), previam o uso da oportunidade e detalhado conhecimento sobre o inimigo. Uma empreitada bem sucedida requeria boa inteligência, segurança e coragem. A estratégia da guerrilha, desta maneira, foi utilizada com eficiência pelos Vikings em situações que envolviam poucas pessoas. Segundo o historiador Paddy Griffith, as chaves do sucesso para operações nórdicas teriam sido: operações com escassos feridos no ataque, mobilidade e rapidez na sua execução e armamento.

Vikings famosos

Um dos mais famosos foi Egil Skallagrímsson, que encarnou todos os protótipos e contradições de um nórdico: poeta, pirata, fazendeiro, mercador, guerreiro e mercenário. Com a idade de 6 anos matou um garoto vizinho com o machado de seu pai, seu primeiro assassinato de uma longa série. Tornou-se um famoso aventureiro e pirata a serviço do rei Athelstan da Inglaterra. Para o rei Erik de York, compôs o poema Hofuðslaun. Envelhecendo, tornou-se fazendeiro na Islândia. Outro nórdico muito famoso foi Harald Hardrada (1015-1066), considerado por muitos o último grande chefe Viking. Após fracassar em tentar a sucessão ao trono da Noruega, serviu como mercenário de sucesso em Bizâncio. Adquirindo grande reputação como guerreiro e acumulando muitas riquezas, voltou para a Suécia e depois para a Noruega, adquirindo poder político e autoridade. Em 1066 tentou invadir a Inglaterra, morrendo na célebre batalha da ponte de Stamford. 

Bibliografia:
BOYER, Régis. Berserkr. In: Héros et dieux du Nord. Paris: Flammarion, 1997.
GRIFFITH , Paddy. Berserks. In: The viking art of war. London: Greenhill Books, 1995.
HAYWOOD, John. Berserker. In: Encyclopaedia of the Viking Age. London: Thames and Hudson, 2000.
LANGER, Johnni. Religião e magia entre os Vikings. Brathair 5 (2), 2005. http://www.brathair.com/Revista/N10/magia_viking.pdf
LIEBERMAN, Anatoly. Bersekir: a double legend. Brathair 4 (2), 2004. http://www.brathair.com/Revista/N8/beserkir.pdf
WARD, Christie. Berserkergang. http://www.vikinganswerlady.com/berserke.shtml

Johnni Langer é pós-doutorando em História Medieval pela USP, bolsista da FAPE

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Mitologia Nórdica, deuses(as)- Frigg:



Frigga é a Deusa escandinava da fertilidade da terra, protetora das famílias e das tribos.Seu nome significa "Aquela que ama" e é conhecida pelos nomes: Frigg, Frige, Frija, Fricka, Frea, Frewa, Fruwa, Hlin, Hlyn, e Lin. Vrou-elde era o nome holandês dela.

A palavra "Friday"(sexta-feira em inglês) deriva do nome de Frigg. Este seria o dia dedicado a ela, ou seja: "Frigg's Day" (o dia de Frigg).

Frigg é a deusa-mãe, esposa de Odin, e rainha de Asgard; líder das Ásynjur (plural de Ásynja) que são as deusas do clã Aesir. Ásynjur é o feminino de Aesir (plural de ǫ́ss ou áss, ás). O termo "ǫ́ss", do norueguês antigo, significa: deus; logo aesir, seu plural significa: deuses; e ásynja: deusa; e ásynjur: deusas.


Frigga se apresenta como uma mulher madura e majestosa, com os cabelos da cor das folhas de outono, trançados e presos em forma de coroa com faiscantes pedras preciosas lapidadas como estrelas. Suas vestes são simples, mas sempre usa um colar de âmbar e um cinto dourado com várias chaves penduradas. Às vezes porta um manto de penas (de cisne ou falcão) representando seu dom de metamorfose para sobrevoar os nove mundo dos cosmos.

Além de ser esposa de Odin, é mãe de: Balðr (Baldr), Höðr (Hóder) e Hermóðr (Hermod). Na verdade, não se sabe ao certo quem é a mãe de Hermóðr, só que ele é filho de Odin e irmão de Balðr; porém se acredita que seja Frigg.Ela é madrasta de:  Þórr (Thor), Vali, Vidar, Bragi e Meili. Teve uma união bem-sucedida com Odin, tanto que dividiu seu trono, chamado Hildskjalf, com ele e de onde podia ver os nove mundos.
Entretanto, dividia sua cama com Vili e Ve, irmãos de Odin, quando este último saía em jornadas fora de Asgard.
 
O adultério era desculpado pelos nórdicos, mas condenado pelos gregos.
Frigga era considerada como a Deusa defensora da paz.Eram às mulheres que cabia o papel de intermediadoras e promotoras da paz.


O culto à Frigga era base para todas as uniões legais entre homens e mulheres e a base para todos os códigos morais da sociedade germânica.
Por esta razão, os seguidores de Frigga eram considerados mediadores, ou primitivos advogados que ocupavam uma posição elevada, honrada e respeitada pela comunidade.
Para eles, a lealdade e a família vinham em primeiro lugar, seguido pelos amigos do clã, o Senhor e o Rei. Quebrar um juramento, naquela época levava o indivíduo à morte ou banimento pela sociedade.

O banimento era considerado uma morte lenta e tortuosa, pois o indivíduo era deixado só em uma região totalmente isolada de muito frio e neve, sem nenhum alimento.

Frigg é um símbolo de doçura, e deusa da fertilidade, do amor e da união. É a protetora da família, das mães e das donas-de-casa. Ela também tem o dom da profecia, mas não revela a ninguém o que sabe.

É interessante acrescentar que Frigga é uma Deusa muito antiga, com fortes conexões com a Terra.

O controle da natureza exercido por Frigga é claramente visualizado quando ela pede para que toda a criação não prejudique seu filho Baldur e quando tudo ganha nova vida com suas bençãos.Invoque Frigga para: fertilidade, proteção, saúde, sabedoria, a paixão, a magia sexual, liberdade sexual, mágica do nó, durante o parto, para proteger sua casa, encontrar um nome para uma criança que está para nascer e para saber do passado, presente e futuro.

Sexta-feira é o dia mais propício e poderoso para a invocação de Frigga. Os animais consagrados à esta Deusa são: o ganso, o gato, o porco, o pardal e o cavalo.
Frigga é a expressão mais moderna das Deusas Antigas. Ela está mais perto da humanidade e dos interesses humanos porque é a Deusa da Ordem Social e das Relações Sociais.É Ela que tece a teia da sociedade e dá forma à humanidade. Ela , é a única, além de Odin, que pode se sentar no Hliðskjálf (Hlidskialf - trono da onde Odin e Frigg podem ver o universo ou melhor os 9 mundos).
Frigg é filha de Fjörgynn (O deus da terra. Não confundir com Fjörgyn/Jörd que seria a deusa da terra. Os nomes se diferem apenas por um "n". Ambos seriam personificações da Terra, um a personificação masculina, o outro a feminina).
 
Frigg tem uma irmã chamada Fulla (ou Volla) que é a deusa da abundância/fertilidade. Seu nome significa: beneficente/caridosa. Fulla é sua serva e sua confidente; ela carrega a caixa mágica da irmã e é quem cuida de seus sapatos.


Frigg tinha 12 servas, as Ásynjur, dentre elas, além de sua irmã Fulla, estava Eir, que era sua amiga e também deusa da cura/medicina. As três principais assistentes de Frigg eram: Hlín (deusa da proteção), Gná (deusa dos mensageiros) e Fulla (deusa da fertilidade/abundância); mas há a possibilidade, dessas três deusas serem apenas manifestações da própria deusa Frigg.

Frigg e suas Servas (todas deusas

Funções das 12 serventes de Frigg:

• Hlín: proteger aos homens e consolar os mortais apenados. Se Frigg quisesse proteger alguém de um perigo, Hlín era encarregada desse ofício.

• Gná: cuida dos assuntos de Frigg ao redor do mundo, por isso tem um cavalo, capaz de se mover pelo ar e pelo mar, chamado: Hófvarpnir.

• Fulla: cuida de seus sapatos, de sua caixa mágica, e é sua confidente.


• Saga: a sábia contadora de histórias e detentora das memórias ancestrais;

• Eri: a curadora hábil no uso de ervas e raízes;

• Sin: guardiã dos limites, portais e de tudo que precisa ficar escondido ou fechado

• Gefjon: padroeira das mulheres solteiras e doadora da abundância como fruto do trabalho;

• Sjofn: abre os corações para o amor e a afeição;

• Lofn : abençoa as uniões com permissão, proteção e paz;

• Var: é a testemunha dos juramentos, que pune os transgressores e zela pela integridade moral e espiritual;

• Vor: guia a intuição, aprofunda a compreensão e a expansão da consciência;

• Snotra: ensina a conduta certa, reforça os elos grupais e as qualidades de gentileza, honra e parceria.

 Protetora das mulheres, Frigga as conduz no aprendizado dos Mistérios do Sangue e nos ritos de passagem ao longo das suas vidas. Como Grande Tecelã, Ela fia a energia cósmica e entrega os fios para as Nornes, as Senhoras do Destino, que são as responsáveis por tecer a intrincada e complexa tessitura do destino universal.


Na cosmologia nórdica existem dois conceitos representando o destino, chamados orlög e wyrd. Orlög: refere-se aos fatores que não podem ser mudados como: raça e país de origem, ancestralidade, família, genética, potencial inato, perfil astrológico, ações e eventos passados da trajetória individual, familiar e grupal e suas implicações na vida presente. Orlög: é a base do destino e do próprio mundo e está além do nosso alcance, por ser imutável. Podemos imaginá-lo como uma urdidura (ou trama) de fios, fixada no tear cósmico, através dos quais move-se a laçadeira que conduz os fios móveis do wyrd. Diferente do orlög, o wyrd é mutável por ser constituído por nossas ações, atitudes e escolhas atuais, cujas conseqüências irão se refletir no futuro.

Podemos mudar a cor dos fios do wyrd, a velocidade com qual se move a laçadeira e a padronagem da tessitura, porém jamais poderemos alterar a trama básica do orlög, que reina absoluto na atuação das leis do destino. Tanto o orlög quanto o wyrd formam a teia da nossa vida, tecida pelas Nornas, que ficam sentadas sob as raízes de Yggdrasil, a Árvore do Mundo, e monitoram a vida dos deuses e dos seres humanos. Tudo está subordinado às leis das Nornas, nem mesmo as divindades escapam das leis eternas e inexoráveis.



Frigga é a única deusa que compartilha da sabedoria das Nornas, pois Ela percebe e compreende a diversidade das modulações da tessitura cósmica, mas não revela esse conhecimento. Sem poder mudar o orlög, Frigga, no entanto, pode tecer encantamentos de proteção para aqueles que Ela ama e protege, como as mulheres, em especial as gestantes e parturientes, os recém nascidos e os casais que desejam ter filhos.


Rituais
Observação : Não faça qualquer ritual sem ter noção de suas atitudes.


A melhor maneira para pedir ajuda para a deusa Frigga é sentir o desejo sincero de harmonizar e apaziguar sua família e o seu lar. A energia do nosso ambiente doméstico permeia todos os aspectos da nossa vida e nos afeta de forma sutil ou intensa. Nosso lar deve ser nosso santuário, um oásis de tranqüilidade e bem estar, onde podemos nos refugiar e refazer do desgaste cotidiano, despindo nossas armaduras, descartando máscaras e abrindo nossos corações para receber e dar amor.

 Cada vez que sentirmos energias negativas invadindo nosso lar e criando discórdias e desassossego, podemos criar um pequeno ritual reunindo nossos familiares ao redor da mesa de jantar, acendendo uma vela no centro cercada de frutas secas e frescas, sementes e flores. Após uma curta oração para a Mãe Divina (arquétipo fácil de compreender e aceitar por todos) pediremos que cada pessoa possa fazer uma avaliação em relação a um fato doloroso do passado, dele se desligando e perdoando, comendo depois uma fruta seca e agradecendo pela cura e transmutação. Logo após se agradecem as dádivas do presente - incluindo a família e o lar - comendo uma fruta fresca. Em seguida faz-se uma invocação e um pedido relacionado com um projeto futuro, mastigando devagar três sementes e mentalizando sua realização.

 No final todos fazem um brinde com suco de maçã agradecendo as futuras conquistas e de mãos dadas, cada um expressa seu compromissos pessoal para contribuir à sua maneira na manutenção da harmonia familiar. Quem quiser, poderá acender uma vela e caminhar ao redor da casa no sentido horário, visualizando a luz divina clareando as sombras e afastando a negatividade, interna e externa. A seguir as velas serão colocadas perto da lareira ou do fogão e deixadas para queimar até o fim. A mulher que invocou a ajuda da Deusa para sua casa, permanecerá algum tempo em introspecção e oração visualizando as vibrações de harmonia, paz, alegria e proteção preenchendo seu lar e agradecerá as bênçãos recebidas da amada Mãe Divina Frigga.



RITUAL DE FRIGGA PARA PROTEÇÃO

Esse ritual invocará a proteção da Deusa Frigga durante todo o ano.Para fazê-lo, deve semear em seu jardim ou em um vaso si não possuir um pátio.As melhores sementes para esse ritual são as de Tanaceto (Tanacetum parthenium), já que essa erva simboliza a proteção e são de fácil cultivo.No entanto, pode escolher qualquer outra planta.Cave o solo cuidadosamente, verificando se o solo está livre de ervas daninhas.Enterre as sementes fazendo a forma de uma runa nórdica que significa proteção.

A forma é de um "Y" maiúsculo, porém com um traço central contínuo, como mostra a figura acima, de maneira que o símbolo três pontas assinalando até o alto.Enquanto espalha as sementes na terra diga: -
"Deusa Frigga, de igual modo que essas sementes cresceram altas e fortes, proteja-me durante todo o ano". Trate suas ervas cuidadosamente, recortando-as e arrancando qualquer que cresça fora do formato da runa. No final do outono, recolha algumas sementes, para que possa repetir o ritual no próximo ano, porém não é preciso arrancar a planta para voltar a fazer o ritual na primavera.